Tinha de acontecer

Olavo de Carvalho

A maior, a mais profunda e aparentemente a mais irrevogável consequência da dissolução do Império Soviético foi esta: como agora o comunismo não existe mais, qualquer um está livre para defender as mesmas políticas que os comunistas defendiam, impor os mesmos controles sociais que os comunistas impunham, atacar e denegrir as mesmas pessoas e valores que os comunistas atacavam e denegriam, cultuar e enaltecer os mesmos ídolos que os comunistas cultuavam e enalteciam, tudo isso sem jamais poder ser chamado de comunista.

Os comunistas, é claro, sempre gostaram de camuflar-se, de agir sob mil máscaras irreconhecíveis. Mas agora já não precisam disso: são os seus inimigos que os camuflam, que os escondem, por medo, por terror pânico de parecer saudosistas da Guerra Fria ou “extremistas de direita” (sabendo-se que hoje em dia tudo o que esteja à direita do centro-esquerda é extremismo).

Em vez de um comunismo que não ousa dizer seu nome, temos agora um comunismo do qual os adversários não ousam dizer o nome.

Tão intenso é entre liberais e conservadores o temor de pronunciar a palavra proibida, que qualquer semi-analfabeto de plantão numa cátedra universitária, com um retrato de Che Guevara na camiseta e o livrinho dos pensamentos do presidente Mao no bolso, estourando de orgulho por ter ajudado a matar cem milhões de pessoas, pode se alardear comunista no horário nobre e em cadeia nacional, seguro de que todo mundo verá nisso nada mais que um modo de dizer, uma graciosa hipérbole usada pour épater le bourgeois por um bom menino que, no fundo do seu coraçãozinho, não é comunista de maneira alguma (ver, como exemplo, o site http://www.cdc.ufop.br/).

Foi assim que, sob a proteção de uma densa e bem articulada rede de proibições linguísticas e inibições mentais, o movimento comunista chegou a dominar quase todo o cenário político latino-americano, a controlar todos os países da Europa Ocidental por meio de um grupo de burocratas jamais eleitos, a retomar o poder em várias nações recém egressas do comunismo e até a colocar um dos seus mais devotos servidores na presidência dos EUA – enquanto todos os que viam isso acontecer temiam que, se dissessem que estava acontecendo, soariam tão antiquados quanto um deputado da UDN, tão malvados quanto um torturador fascista ou tão loucos quanto o mais inventivo “teórico da conspiração”.

Como foi possível que transformação tão vasta, tão rápida e – em aparência – tão paradoxal viesse a suceder? Como foi possível que, à queda fragorosa de um regime falido e reconhecidamente criminoso se seguisse, não o debilitamento ou extinção da corrente política que por toda parte o sustentava, mas sim, ao contrário, a sua ascensão espetacular à posição de ideologia mundial dominante e, graças à proibição de nomeá-la, inatacável?

Só faço essa pergunta por caridade para com a burrice alheia, para com a indolência mental e a covardia moral daqueles que hoje, somente hoje, começam a suspeitar de algo que já estava óbvio e patente nos primeiros anos da década de 1990. Óbvio e patente, é claro, para quem observa, estuda, investiga e busca a verdade no meio da confusão; não para aqueles que se sentem tranquilos e seguros de si porque assistiram ao Jornal Nacional ou leram a Folha de S. Paulo.

Hoje, aos 66 anos de idade, faltando apenas dois para completar meio século de jornalismo, estou definitivamente persuadido de que qualquer cidadão que tenha sua principal ou única fonte de informações na mídia popular –  chamada “grande”, talvez, apenas  pela dimensão das suas dívidas ou das suas negociatas com o governo –, é um bocó de mola incurável, um cretino desprezível cuja opinião não vale o bafo que a expele.

Vendo o sucesso mundial do comunismo sem rosto, não cabe perguntar: “Como isso aconteceu?” e sim: “Como poderia não ter acontecido?” Imaginem se, finda a 2ª Guerra, derrubado o governo do Führer, ninguém movesse uma palha para punir os crimes do regime extinto e expor ao mundo o horror da ideologia que os produzira, mas, ao contrário, todo mundo tratasse de silenciar a respeito “para não reabrir velhas feridas” e deixasse os altos funcionários nazistas nos seus lugares, enriquecidos pelo rateio dos bens do Estado e livres para circular pelo mundo como honestos e bem-vindos investidores? Quem não vê que em dez anos o nazismo estaria de volta sob outro nome, talvez   “Poderíamos ter vencido o comunismo em 1991”, disse Vladimir Bukovski, “mas para isso precisaríamos de um novo Tribunal de Nuremberg”.

Não houve tribunal nenhum. Mutatis mutandis, de que serviu abortar em 1964 o golpe comunista que se preparava no Brasil, se em seguida o novo regime, em vez de educar a população contra o comunismo, preferiu se embelezar com as pompas da “neutralidade ideológica” e do “pragmatismo” e só combater os comunistas seletivamente e na sombra, como que envergonhado de antemão pelos crimes que essa escolha imbecil o levaria quase que inevitavelmente a cometer?

Pior ainda, de que adiantou bloquear o avanço dos comunistas se em seu lugar se instalou no governo um autoritarismo tão centralizador quanto o deles, substituindo a elite iluminada vermelha por uma elite iluminada verde-oliva, tão ciumenta das suas prerrogativas ao ponto de excluir da política os líderes conservadores mais populares, preenchendo os seus espaços com os mais medíocres e subservientes, para os quais o posto de meros carimbadores de decretos era até uma honra insigne?

Como seria possível, aqui e no resto do mundo, que o que aconteceu não acontecesse?

Fonte: www.olavodecarvalho.org

A Europa está perante uma ameaça totalitária sob a capa de democracia

Orlando Braga

AO CONTRÁRIO do que está escrito aqui, no Ocidente não existe “diferendo”, porque “diferendo” implica a aceitação da diferença — diferendo vem de diferença. O problema do Ocidente é a “ruptura”, e não um “diferendo”. Qualquer que seja a reificação política e cultural resultante da actual ruptura, ela será sempre totalitária.

O niilismo, de que nos fala a citação, tem pelo menos duas vertentes — a neoliberal e a marxista cultural — e não só uma como, aparentemente, nos quer fazer crer. Não existe apenas e uma só manifestação de niilismo. As coincidências de estratégia verificadas entre os dois tipos de niilismo são perspectivas de confrontos de ruptura ainda mais radicais que estão desde já alinhavados — e daí a verosimilhança de um totalitarismo adventício.

A ruptura ocidental é trilateral: é, por um lado, uma ruptura entre os dois niilismos entre si, e por outro lado uma ruptura entre os dois niilismos em relação à História. A ruptura é, por sua própria natureza, radical — ao contrário do que acontece com o diferendo, que supõe a possibilidade de diálogo através da análise e síntese. E a única forma de atenuarmos a ruptura, ou mesmo substituirmos a ruptura pelo diferendo, será sempre através do retorno à História — o que parece ser uma impossibilidade objectiva, tendo em conta as naturezas dos dois niilismos.

Tendo em consideração a realidade da natureza da ruptura, já não podemos falar em “modo de viver ocidental”. O “modo de viver ocidental” é já uma ucronia. Só se poderia falar em “modo de viver ocidental” se existisse a possibilidade de diálogo — o tal “diferendo”. O “diálogo de surdos” traduz essa ruptura radical entre os dois niilismos entre si, e entre estes em relação à História.

O niilismo, por sua própria natureza, é irracional — embora se esconda, muitas vezes, sob a capa do racionalismo. E reside na irracionalidade do niilismo a impossibilidade da sua reversão, porque este se comporta — em termos culturais — analogamente a uma doença terminal. A irracionalidade do niilismo não permite a reversibilidade da “doença cultural”. O corolário do império dos niilismos e da ruptura será, provavelmente, a constituição de determinadas comunidades reconciliadas com a História que habitarão nas novas catacumbas da sociedade e da cultura.

Os niilismos das elites — em aliança, ou em acções isoladas — tenderão a reduzir, numa primeira fase, os “relapsos culturais” a comunidades fechadas e guetizadas (os novos “guetos culturais” do Ocidente); e depois, numa segunda fase, as elites combaterão essas comunidades que eles próprios restringiram ao limbo da sociedade. E serão essas comunidades, porventura até organizadas em segredo e mesmo na clandestinidade, que possivelmente poderão regenerar a sociedade futura reconciliada com a História.

Fonte: perspectivas

Teorias Conspiracionistas

Clara Mítia

Bem, não gosto de teorias “conspiracionistas”, mas gosto de coisas que me fazem pensar. Assista esse vídeo, pesquise e tire suas conclusões! (Vídeo abaixo)

Os potenciais malefícios relacionados ao aspartame, glutamato monossódico, pesticidas e transgênicos já são conhecidos pela comunidade científica. Infelizmente o que mais se vê são refrigerantes, bebidas e alimentos contendo aspartame e glutamato monossódico. Não é novidade, mas não se divulga isso pra população. Como que as pessoas farão boas escolhas sem acesso à informação, estando apenas sob o julgo da propaganda mercantilista? Ciência que não vira informação acessível não vale de muita coisa!

Não sou da área de toxicologia, mas em 2011 participei de uma palestra na Semana Farmacêutica da USP, com a Dr.ª Gisela de Aragão Umbuzeiro, professora e pesquisadora da UNICAMP na área de Toxicologia Ambiental. Fiquei bastante intrigada com muitos estudos apontando que estamos mexendo com a fertilidade das populações aquáticas. Em alguns casos já é possível observar alta concentração de hormônio (ou substâncias semelhantes) na água, como é o caso referente às indústrias produtoras de leite de soja, as quais liberam efluentes ricos em compostos estrogênicos. Hoje se defende tanto o uso dos anticoncepcionais femininos, mas estudos comprovam que esses hormônios liberados na urina estão contaminando nosso meio ambiente, iniciando um processo de alterações sexuais em organismos aquáticos. Nosso tratamento de água convencional não consegue extrair da água todos os compostos, especialmente os parecidos com os produzidos pelo nosso organismo. Água contaminada com hormônios ou substâncias semelhantes está causando esterilidade em espécies de caracóis. O próprio FDA (Food and Drug Administration) está reavaliando a utilização do triclosan, um composto extremamente utilizado em cosméticos, desodorantes, sabonetes, cremes dentais e desinfetantes. Em meio aquático, esse composto transforma-se em dioxina, um composto tóxico para a vida aquática, sem falar em potenciais riscos à saúde. E se pensarmos a longo prazo, quais malefícios serão observados em nós, humanos? Não gosto de alarmar, mas é algo a se pensar muito seriamente.

O FDA é o órgão que controla medicamentos e alimentos no mundo. Infelizmente a Indústria Farmacêutica é uma grande máfia. A de Alimentos também não está muito longe disso, pois é só observar a onda FAST FOOD que está sendo responsável por criar uma geração de obesos. Retornando à Indústria Farmacêutica, estudos conduzidos na Índia e no Nepal verificaram declínio na população de urubus que comiam carcaça de vacas que haviam sido tratadas (adivinhem com o que?) com DICLOFENACO. Também é assustador o uso e a prescrição indiscriminada de ansiolíticos e antidepressivos. Nos EUA o uso indiscriminado de antidepressivos está causando grandes problemas, especialmente em crianças. Sem generalizações, mas crianças normais estão sendo diagnosticadas com hiperatividade e TDHA (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Não compreendo, mas acho podemos ter cuidado com generalizações. Crianças tomando medicamentos controlados, enquanto gostariam apenas de ter uma vida normal, sem uma rotina enfadonha de cursos de inglês, aulas de reforço, e etc. Antigamente criança chegava da escola, corria, brincava e ia fazer o dever de casa. Chega de querer fazer da criança um mini adulto! Gente, criança quer brincar e crianças ativas, que se movimentam, que perguntam, sendo diagnosticadas com TDHA? Muito cuidado! Criança quer ter pai e mãe no final do dia pra fazer a tarefa da escola, comer e brincar só isso. Está na hora de pararmos de aceitar passivamente tudo o que a Indústria nos impõe!

Falando da Monsanto, o Brasil é o maior consumidor de praguicidas do mundo. Pergunte aos executivos da Monsanto se eles comem o que produzem? Claro que não! Eles não usam as drogas que fabricam. Há os que vão defender a produção de alimentos em grande escala a fim de reduzir o custo e evitar problemas no abastecimento de alimentos para a população mundial. O problema não é bem esse. O Brasil é o 4º maior produtor de alimentos do mundo e o 6º em desnutrição. 61% da produção de alimentos, do campo à mesa do consumidor, é desperdiçada no Brasil. O problema é educação, escoamento eficiente dos produtos e não PRODUÇÃO DEFICIENTE! Há muito mais gargalos do que possamos imaginar…

Quanto à Engenharia Genética, esta pode ser grande aliada ou inimiga perigosa… Criar um organismo geneticamente modificado infla o ego de muita gente e a maioria dessa turma esquece a ÉTICA quando o assunto é ganhar dinheiro. Não estamos mais sob as forças da evolução darwinista, a seleção natural das espécies. Estamos forçando mudanças genéticas, fazendo da Terra um imenso laboratório onde não sabemos no que vai dar… Não duvido que haja interesse político e financeiro por trás de muita coisa…

Ainda bem que tem gente com coragem de questionar o que insistem em nos enfiar goela abaixo. Falando de gente assim, o climatologista Dr. Ricardo Augusto, professor e pesquisador da USP, defende que o aquecimento global é uma grande farsa criada pela indústria mundial e que os problemas são outros, denunciando haver muito interesse político e financeiro por trás de tudo que nos é imposto. Infelizmente ele teve redução de financiamento em suas pesquisas por conta das denuncias que fez… Tentativas de calar sua boca, talvez…

Enfim, como profissional da Tecnologia de Alimentos, preciso me posicionar!

Defendo o enfrentamento à fome e à pobreza, defendo a agricultura familiar pois precisamos do homem no campo produzindo alimento e gerando renda. Defendo a agricultura orgânica em respeito à diversidade ambiental e como uma oportunidade de oferecer alimentos sem agrotóxicos. Defendo as pesquisas genéticas, mas que estas estejam regadas pela ética. E mais que tudo, defendo a CAPACIDADE CRÍTICA do ser humano, autor da própria história, capaz de questionar tudo o que lhe é imposto.

Informe-se e tire suas próprias conclusões. Essas são as minhas.

 

*Clara Mítia  é Tecnóloga em Alimentos.