Os Jesuítas – Malachi Martin

Comentários sobre o livro do padre Malachi Martin – OS JESUITAS, A companhia de Jesus e a traição à Igreja Católica.

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O papiro da “esposa de Jesus” é visto como falsificação por especialistas

Joe Kovacs

Não é apenas a certidão de nascimento de Barack Obama que é tida por muitos como uma fraude.

Um fragmento de papiro sugerindo que Jesus Cristo de Nazaré era na verdade casado está recebendo o mesmo tratamento pelos especialistas.

“Eu diria que é uma falsificação”, disse à Associated Press o papirologista da Universidade de Hamburgo, Alin Suciu, durante um congresso de estudos cópticos em Roma.

“O manuscrito não parece autêntico” quando comparado a outras amostras de manuscritos coptas em papiros que datam do século IV.

Outro especialista que questiona a autenticidade do fragmento é Stephen Emmel, professor de estudos cópticos na Universidade de Muenster, que em 2006 analisou a descoberta do Evangelho de Judas.

“Há algo nesse fragmento. Algo em sua aparência e também na gramática copta que me parece ser de alguma forma não muito convincente”, afirmou.

O papiro foi manchete pelo mundo todo na terça-feira e teve cobertura do New York Times. Links para a reportagem foram colocados no WND e no Drudge Report.

Diz-se que o papiro contém a frase “Jesus disse a eles: minha esposa…”.

A descoberta foi alardeada por Karen King, professora de cristianismo primitivo na Harvard Divinity School.

“Esse fragmento sugere que alguns cristãos primitivos tinham uma tradição que acreditava que Jesus era casado”, afirmou King à Times. “Como já sabemos, existiu uma controvérsia no século II sobre Jesus ter sido ou não casado. Esse assunto surgiu involuntariamente na discussão sobre a possibilidade dos cristãos poderem se casar e fazer sexo”.

O fragmento desbotado de papiro mede apenas 3.8 cm por 7 cm – tamanho parecido com um cartão de visitas ou um pequeno celular.

Tem oito linhas de um lado, com tinta preta legível com a ajuda de uma lupa.

Logo abaixo da menção à Jesus ter uma esposa, há outro trecho que diz “Ela estará preparada para ser minha discípula”.

King admitiu na quarta-feira que ainda há perguntas a serem respondidas no que diz respeito ao fragmento. Além disso, ela diz aceitar de bom grado a ajuda de seus colegas profissionais da área. Agora ela pretende submeter o documento a testes na tinta para descobrir se os componentes químicos lá encontrados são os mesmos daqueles usados nos tempos antigos.

“Ainda temos trabalho a fazer, como testar a tinta e assim por diante. Mas o que é mais excitante nesse fragmento, é que ele é o primeiro caso onde temos cristãos afirmando que Jesus teve uma esposa” disse a professora à AP.

A Bíblia em si, nunca insinuou que Jesus era casado. King disse que o fragmento de papiro, mesmo que se comprove autêntico, não dá evidências de que Jesus era casado, apenas diz que centenas de anos após a morte e ressurreição de Jesus, alguns cristãos acreditavam que Ele tinha uma esposa.

O linguista copta Wolf-Peter Funk também coloca em dúvida a autenticidade. Segundo ele, o papiro tem uma forma “suspeita”.

Ele disse à AP que não há como avaliar a relevância do fragmento, pois ele não tem contexto.

“Existem milhares de fragmentos de papiros onde você pode achar disparates”, disse Funk, co-diretor de um projeto de edição da biblioteca copta de Nag Hammadi na Universidade Laval, em Quebec. “Pode ser qualquer coisa”, disse.

Parte do mistério do fragmento é que ninguém parece estar certo da origem, procedência ou onde ele esteve. Além disso, o proprietário desse papiro pediu para que não ter seu nome revelado.

A Harvard Divinity School disse que o fragmento aparentemente veio do Egito e sua documentação mais antiga é do começo dos anos de 1980. Isso indica que um professor alemão (agora falecido) acreditava que a peça era evidência de que Jesus poderia ser casado.

Hany Sadak, diretor geral do Museu Copta em Cairo, disse que os especialistas em antiguidades egípcias não faziam ideia da existência do fragmento até que ele apareceu nos noticiários.

“Eu particularmente penso, como pesquisador, que esse fragmento não é autêntico, pois caso fosse, ele teria estado no Egito anteriormente e nós saberíamos dele; também teríamos ouvido falar dele antes dele sair do Egito” disse Sadak à AP.

King disse que o proprietário que vender sua coleção para Harvard.

“Há todo tipo de suspeitas quando se trata desse assunto”, afirmou David Gill, professor de herança arqueológica na Universidade Campus Suffolk e autor do blog Looting Matters, que segue de perto o comércio ilícito de antiguidades.

“Ao meu ver, qualquer acadêmico sensato e responsável manteria distância disso.”

O surgimento do fragmento está causando muita conversa na blogosfera.

Michael D’Antonio, autor de Mortal Sins, Sex, Crime, and the Era of Catholic Scandal disse: “As implicações da descoberta da professora King são profundas. Se Jesus era casado, o principal argumento espiritual em favor da ordenação clerical apenas de homens e do celibato dos padres católicos será questionado. (Os padres não teriam de abandonar o sexo para imitá-Lo). Mais importante ainda, se Jesus era um homem de família, então a reivindicação feita pelo clero católico, que se denomina como sobrenaturalmente próximo à Deus, perderia muito de sua força.

Do WND: http://www.wnd.com/2012/09/jesus-wife-papyrus-blasted-as-forgery/

Tradução: Leonildo Trombela Júnior

Fonte: Mídia Sem Máscara

A infância muçulmana de Obama

Daniel Pipes

Barack Obama apareceu brandindo contra o seu rival republicano, patrocinando anúncios na televisão perguntando: “O que Mitt Romney está escondendo?” A alusão trata de questões relativamente secundárias como declarações de imposto de renda de anos anteriores de Romney, a data em que ele deixou de trabalhar para a Bain Capital e registros não públicos da sua prestação de serviços como dirigente das Olimpíadas de Salt Lake City e como governador de Massachusetts. Obama justificou suas exigências para que Romney libere mais informações sobre si mesmo, ao declarar em agosto de 2012 que “O povo americano crê que se você deseja ser presidente dos Estados Unidos, a sua vida seja um livro aberto quando se trata de questões como suas finanças”. Esquerdistas como Paul Krugman doNew York Times endossam entusiasticamente tal enfoque no currículo de Mitt Romney.

Se Obama e seus partidários querem colocar em foco a biografia, ótimo, este é um jogo que dois podem jogar. O moderado, conciliatório Romney já censurou a campanha para a reeleição de Obama como sendo “baseada em falsidade e desonestidade”, a campanha publicitária televisiva foi mais longe, asseverando que Obama “não diz a verdade”.

O foco na franqueza e honestidade provavelmente irá prejudicar muito mais Obama do que Romney. Obama continua sendo o candidato misterioso com uma autobiografia repleta de hiatos e até de falsificações. Por exemplo, para vender a autobiografia em 1991, Obama alegava falsamente que “que tinha nascido no Quênia.” Mentiu sobre nunca ter sido membro e candidato do partido socialista New Party de Chicago nos anos de 1990 e, quando Stanley Kurtz apresentou evidências para constatar que ele era membro, Kurtz foi difamado e tratado com desdém pelos marqueteiros de Obama. A autobiografia de Obama de 1995, intitulada Dreams from My Father traduzido para o português como (A Origem dos Meus Sonhos), contém uma torrente de erros crassos e falsidades sobre seu avô por parte de mãe, seu pai, sua mãe, o casamento de seus pais, o pai do seu padrasto, seu amigo do ensino médio, sua namorada, Bill Ayers e Bernardine Dohrn e o Reverendo Jeremiah Wright. Como Victor Davis Hanson coloca, “se um autor inventa detalhes sobre a doença terminal da sua própria mãe e a busca pelo seguro, então ele provavelmente falsificará qualquer coisa”.

Neste contexto mais amplo de falsidades sobre o seu passado surge a questão sobre a discussão de Obama sobre a sua fé, talvez a mais peculiar e afrontosa de todas as suas mentiras.

Contradições

Questionado sobre a religião da sua infância e adolescência, Obama apresenta respostas contraditórias. Refinando a questão, em março de 2004 responde, “Você sempre foi cristão”? “Eu fui criado mais pela minha mãe e a minha mãe era cristã”. Mas em dezembro de 2007 ele decidiu, um tanto tardiamente, dar uma resposta direta: “Minha mãe era uma cristã do Kansas. … eu fui criado pela minha mãe. Portanto, sempre fui cristão”. Entretanto em fevereiro de 2009, ele deu uma explicação completamente diferente:

Eu não fui criado em um lar mormente religioso. Eu tive um pai que nasceu muçulmano, mas se tornou ateu, avós metodistas e batistas não praticantes e uma mãe cética quanto às religiões organizadas. Eu não me tornei cristão até … mudar para a região sul de Chicago após a faculdade.

Aprimorando ainda mais a resposta em setembro de 2010, disse: “Eu abracei a fé cristã mais tarde na vida”.

Onde está a verdade? Obama “sempre foi cristão” ou “se tornou cristão” após a faculdade? Contradizer-se em uma questão tão fundamental quanto a identidade, quando adicionada ao questionamento geral a cerca da exatidão da autobiografia, levanta perguntas sobre veracidade; será que alguém que estivesse falando a verdade diria coisas tão variadas e contrárias sobre si mesmo? Inconsistência é típico da invenção: quando se inventa uma história, é difícil manter-se fiel a ela. Parece que Obama está escondendo algo. Ele era um filho laico de pais sem religião? Ou será que ele sempre foi cristão? Ou muçulmano? Ou de fato, algo que ele mesmo criou – cristão/muçulmano?

Obama fornece algumas informações sobre a sua formação islâmica em dois livros, Dreams (A Origem dos Meus Sonhos) e The Audacity of Hope (A Audácia da Esperança) (2006). Em 2007, quando Hillary Clinton ainda era a predileta entre os candidatos democratas à presidência, vários jornalistas trouxeram à tona informações sobre o período de Obama na Indonésia. As declarações de Obama como presidente proporcionaram importantes insights em sua mentalidade. Entretanto, as principais biografias sobre Obama, sejam elas favoráveis (como as escritas por David Maraniss, David Mendell e David Remnick) ou hostis (como as escritas por Jack Cashill, Jerome R. Corsi, Dinish D’Souza, Aaron Klein, Edward Klein e Stanley Kurtz), dão pouca atenção a este tópico.

Vou considerar que ele nasceu e foi criado como muçulmano, apresentar provas provenientes dos últimos anos, levantar impressões a seu respeito como muçulmano e colocar o engodo em um contexto mais amplo da ficção autobiográfica de Obama.

“Nunca fui muçulmano”

Obama reconhece de imediato que seu avô paterno, Hussein Onyango Obama, converteu-se ao islamismo. A bem da verdade, Dreams (página 407) contém uma longa citação da sua avó paterna explicando os motivos do avô ter agido assim: Para ele os costumes do cristianismo pareciam “sentimentos tolos”, “algo para consolar mulheres” e assim sendo, converteu-se ao islamismo, acreditando que “suas práticas adequavam-se mais intimamente com as suas convicções” (página 104). Obama disse de bom grado aos quatro ventos o seguinte: por exemplo, quando perguntado por um barbeiro (página 149), “você é muçulmano”? Ele respondia, “Meu avô era”.

Obama apresenta seus pais e padrasto como não religiosos. Ele observa (em Audacity, páginas 2006, páginas. 204-05), que seu “pai foi criado como muçulmano” mas era um “ateu convicto” quando conheceu a mãe de Barack, que por sua vez “professava o secularismo”. Seu padrasto, Lolo Soetoro, “como a maioria dos indonésios, foi criado como muçulmano”, embora não praticante, sincrético que (Dreams, página 37) “praticava um ramo do islamismo que acomodava os remanescentes das crenças animistas mais antigas e hindus”.

Quanto a si próprio, Obama reconhece numerosas conexões com o islamismo, mas nega ser muçulmano. “A única ligação que eu tive com o islamismo é que meu avô paterno veio daquele país”, declarou ele emdezembro de 2007. “Mas nunca fui praticante do islamismo. … Por um tempo morei na Indonésia pelo fato da minha mãe estar lecionando lá. E é um país muçulmano. E eu frequentei a escola. Mas não pratiquei”. Na mesma linha, ele disse o seguinte em fevereiro de 2008: “Nunca fui muçulmano” … a não ser pelo meu nome e pelo fato de ter morado em um populoso país muçulmano por 4 anos quando era criança, tenho pouquíssima ligação com a religião islâmica”. Observe a declaração inequívoca: “Nunca fui muçulmano” Sob a manchete, “Barack Obama Não É Nem Nunca Foi Muçulmano,” no primeiro site da Internet da campanha de Obama, portava uma declaração ainda mais enfática em novembro de 2007, anunciando que “Obama nunca rezou em uma mesquita. Ele nunca foi muçulmano, não foi criado como muçulmano e é um cristão devoto”.

“Barry era muçulmano”

Porém, sobram provas sustentando que Obama nasceu e foi criado como muçulmano:

(1) O Islã é uma religião patriarcal: No Islã, o pai passa a sua fé para os filhos e, quando um muçulmano tem filhos com uma mulher não muçulmana, o islamismo considera os filhos muçulmanos. Como o avô e o pai de Obama eram muçulmanos – o tamanho da devoção não tendo nenhuma importância – significa que, aos olhos dos muçulmanos, Barack nasceu muçulmano.

(2) Nomes próprios baseados na raiz trilateral H-S-N: Todos os nomes como (Husayn ou Hussein, Hasan, Hassân, Hassanein, Ahsan e outros) são dados exclusivamente a bebês muçulmanos. (O mesmo acontece com nomes baseados na raiz H-M-D). O nome do meio de Obama, Hussein, proclama-o explicitamente um muçulmano de nascença.

(3) Matriculado como muçulmano no SD Katolik Santo Fransiskus AsisiObama foi matriculado em uma escola católica em Jacarta como “Barry Soetoro”. Um documento ainda existente lista-o corretamente como nascido em Honolulu em 4 de agosto de 1961, além disso lista-o também como tendo nacionalidade indonésia e religião muçulmana.

(4) Matriculado como muçulmano na SD Besuki: Embora Besuki (também chamado de SDN 1 Menteng) ser uma escola pública, Obama curiosamente refere-se a ela em Audacity (página 154) como “escola muçulmana”, frequentada por ele em Jacarta. Seus registros não existem mais, porém vários jornalistas (Haroon Siddiqui do Toronto Star, Paul Watson do Los Angeles Times, David Maraniss do Washington Post) confirmaram que também lá ele foi matriculado como muçulmano.

(5) Aulas de islamismo em Besuki: Obama cita (Audacity, página 154) que em Besuki, “o professor enviou uma carta a minha mãe dizendo que eu fiz caretas durante os estudos corânicos”. Somente estudantes muçulmanos frequentavam as aulas semanais de duas horas para estudar o Alcorão, Watson relata:

dois de seus professores, a ex-vice-diretora Tine Hahiyari e o professor do terceiro grau, disseram que lembram claramente que também nesta escola, ele estava registrado como muçulmano, o que determinava as aulas que iria participar durante as lições semanais de religião. “Estudantes muçulmanos recebiam aulas de um professor muçulmano e estudantes cristãos recebiam aulas de um professor cristão”, afirmou Effendi.

Andrew Higgins do Washington Post cita Rully Dasaad, ex-colega de classe, dizendo que Obama fazia farra na sala de aula e durante os estudos do Alcorão, era “ridicularizado devido a sua pronúncia engraçada”.Maraniss descobriu que as aulas incluíam não apenas o estudo de “como rezar e como entender o Alcorão”, mas também rezar na prática nos serviços comunitários às sextas-feiras nas dependências da escola.

(6) Comparecimento à mesquita: Maya Soetoro-Ng, a meia irmã mais nova de Obama, contou que seu pai (padrasto de Barack) comparecia à mesquita “quando acorriam grandes eventos comunitários”, Barker constatou que “Obama às vezes acompanhava seu padrasto até a mesquita para as rezas de sexta-feira”. Watson relata o seguinte:

Os amigos de infância dizem que às vezes Obama comparecia às rezas de sexta-feira na mesquita local. “Nós rezávamos, mas não com muita seriedade, apenas acompanhávamos o que os mais velhos faziam na mesquita. Segundo Zulfin Adi, que se descreve como um dos amigos de infância mais íntimos de Obama relata; como crianças, gostávamos de encontrar nossos amigos e ir à mesquita juntos e brincar”. … Eventualmente, informa Adi, quando o muezin (aquele que chama os crentes às orações) soava a chamada à reza, Lolo e Barry iam juntos, a pé, até a mesquita improvisada. “Sua mãe ia frequentemente à igreja, mas Barry era muçulmano. Ele ia à mesquita”, revela Adi.

(7) Vestimenta muçulmana: Sobre Obama, Adi recorda, “Lembro-me dele usando sarongue”. Da mesma forma,Maraniss descobriu que não somente “seus colegas de classe se recordam de Barry usando sarongue”, mas que a troca de correspondências indica que ele continuou a usar esta vestimenta nos Estados Unidos. Este fato acarreta implicações religiosas, visto que, na cultura indonésia, somente muçulmanos usam sarongues.

(8) DevoçãoObama afirma que na Indonésia, ele “não praticava o [islamismo]”, uma asserção que involuntariamente reconhece sua identidade muçulmana implicando que ele era um muçulmano não praticante. Contudo, vários daqueles que o conheciam contradizem esta lembrança. Rony Amir retrata Obama como “muito devoto ao Islã no passado”. Tine Hahiyary, ex-professora de Obama, citada no Kaltim Post, afirma que o futuro presidente participou de estudos religiosos islâmicos avançados: “Eu lembro que ele tinha estudado mengaji“. No contexto do islamismo do sudeste asiático, mengaji Quran significa recitar o Alcorão em árabe, uma tarefa difícil denotando estudo avançado.

Em síntese, o histórico indica que Obama nasceu muçulmano tendo como pai um muçulmano não praticante, tendo vivido por quatro anos em um meio totalmente muçulmano sob a proteção do padrasto muçulmano indonésio. Por estas razões, aqueles que conheceram Obama na Indonésia consideravam-no muçulmano.

“Minha fé muçulmana”

Além disso, várias declarações feitas por Obama nos últimos anos apontam para a sua infância muçulmana.

(1) Robert Gibbs, diretor de comunicações da campanha da primeira corrida presidencial de Obama, assegurou emjaneiro de 2007: “O Senador Obama nunca foi muçulmano, não foi criado como muçulmano e é um cristão devoto que frequenta a Igreja Unida de Cristo em Chicago”. Mas recuou em março de 2007, garantindo que “Obama nunca foi um muçulmano praticante”. Ao colocar em foco a prática quando criança, a campanha levanta uma questão que não faz a menor diferença para os muçulmanos (assim como para os judeus), já que não consideram a prática central a identidade religiosa. Gibbs acrescenta, de acordo com a paráfrase de Watson, “quando criança, Obama ficava no centro islâmico vizinho”. Obviamente, “o centro islâmico vizinho” é um eufemismo de “mesquita”, enquanto ficar lá aponta novamente Obama como sendo muçulmano.

(2) Ele pode ter feito caretas e farreado durante as aulas do Alcorão, mas Obama aprendeu a orar a salat nas aulas de religião; seu ex-professor em Besuki, Effendi, lembra que ele “se juntava aos outros alunos nas orações muçulmanas”. Orar a salat por si só fez de Obama um muçulmano. Além do mais, ele orgulhosamente preserva o conhecimento das aulas de outrora: em março de 2007, Nicholas D. Kristof do New York Times, viu Obama “recordar o início da chamada árabe para a oração, recitando-a [para Kristof] com excelente pronúncia”. Obama não recitou asalat propriamente dita e sim o adhan, a chamada para a reza (normalmente cantada dos minaretes). A segunda e a terceira linhas do adhan constituem a declaração da fé islâmica, a shahada, cuja mera elocução torna aquele que a pronuncia um muçulmano. O adhan completo na iteração sunita (pulando as repetições) é o seguinte:

Deus é o maior.
Testemunho de que não há outra divindade além de Deus.
Testemunho de que Maomé é o Mensageiro de Deus.
Vinde para a Oração.
Vinde para a salvação.
Deus é o maior.
Não há outra divindade além de Deus.

Aos olhos dos muçulmanos, recitar o adhan na classe em 1970 tornou Obama na mesma hora muçulmano – e recitá-lo para um jornalista em 2007 tornou-o novamente muçulmano.

(3) Em uma conversa com George Stephanopoulos em setembro de 2008, Obama falou da “minha fé muçulmana“, mudando o que tinha acabado de dizer para “minha fé cristã” somente após Stephanopoulos interromper e corrigi-lo. Ninguém deixaria escapar “minha fé muçulmana” a menos que houvesse alguma base para tal engano.

(4) Ao discursar perante platéias muçulmanas, Obama usa especificamente frases muçulmanas que evocam sua identidade muçulmana. Ele discursou perante ambas as platéias no Cairo (em junho de 2009) e em Jacarta (emnovembro de 2010) proferindo a saudação “as-salaamu alaykum”, esta que ele, participando das aulas do Alcorão, sabe que é reservada para um muçulmano saudando outro muçulmano. No Cairo, ele também usou diversos termos empregados pelos devotos sinalizando aos muçulmanos ser ele um deles:

  • “o Sagrado Alcorão” (termo mencionado cinco vezes): uma tradução exata da referência árabe padrão dos livros sagrados, al-Qur’an al-Karim.
  • “o caminho certo”: tradução de as-sirat al-mustaqim, do árabe, em que os muçulmanos pedem a Deus para que Ele os guie toda vez que estiverem orando.
  • “Conheci o islamismo em três continentes antes de vir à região onde ele foi revelado pela primeira vez”: não muçulmanos não se referem ao Islã como revelado.
  • “a história de Isra, quando Moisés, Jesus e Maomé … oraram juntos”: este conto corânico de uma jornada noturna estabelece a liderança de Maomé sobre as outras figuras sagradas, incluindo Jesus.
  • “Moisés, Jesus e Maomé, que a paz esteja com eles”: tradução do árabe ‘alayhim as-salam, que os muçulmanos devotos dizem após mencionar os nomes dos profetas mortos, menos Maomé. (Uma saudação diferente, sall Allahu ʿalayhi wa-sallam, “que a paz e as benções de Alá estejam com ele”, segue adequadamente o nome de Maomé, mas esta frase é praticamente nunca dita em inglês).

Obama dizer “Que a paz esteja com eles” acarreta outras implicações além de ser meramente a formulação de uma frase islâmica nunca usada por cristãos e judeus que falam o idioma árabe. Primeiro, contradiz aquilo em que um cristão declarado acredita, por implicar que Jesus, bem como Moisés e Maomé estão mortos, a teologia cristã acredita que Ele tenha ressuscitado, esteja vivo e seja o Filho imortal de Deus. Segundo, incluir Maomé nesta benção implica reverenciá-lo, algo tão estranho quanto um judeu conversar sobre Jesus Cristo. Terceiro, um cristão iria com mais naturalidade buscar a paz vinda de Jesus do que desejar que a paz estivesse com ele.

(5) A descrição exagerada e incorreta de Obama do Islã nos Estados Unidos é típica de uma mentalidade islamista. Ele superestima drasticamente tanto o número quanto o papel dos muçulmanos nos Estados Unidos, ao anunciar em junho de 2009 que “se fosse contado o número de muçulmanos americanos, nós seríamos um dos maiores países muçulmanos do mundo”. Altamente improvável: de acordo com uma listagem das populações muçulmanas, os Estados Unidos, com cerca de 2,5 milhões de muçulmanos, encontra-se na 47ª posição). Três dias depois, ele apareceu com uma estimativa inflada de “cerca de 7 milhões de muçulmanos americanos hoje em nosso país” e de modo bizarro anunciou que o “Islã sempre fez parte da história dos EUA. … desde nossa fundação, os muçulmanos americanos enriqueceram os Estados Unidos”. Obama também anunciou um fato duvidoso em abril de 2009, que muitos americanos “têm muçulmanos em suas famílias ou moraram em algum país de maioria muçulmana”. Ao realizar a disposição das comunidades religiosas nos Estados Unidos, Obama sempre oferece o primeiro lugar aos cristãos e o segundo lugar varia entre judeus e muçulmanos, sobretudo em seu discurso de posse em janeiro de 2009: “Os Estados Unidos é uma nação de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus e não crentes”. Obama superestimou de forma tão exagerada o papel muçulmano na vida americana que indica uma mentalidade supremacista islâmica, específica de alguém vindo de uma formação muçulmana.

Levando tudo em conta, as declarações confirmam os sinais da infância de Obama de que ele nasceu e foi criado como muçulmano.

“Toda a minha família era muçulmana”

Várias pessoas que conhecem bem Obama o veem como muçulmano. O mais notável é que sua meia irmã, Maya Soetoro-Ng, declarou: “Toda a minha família era Muçulmana” Toda a família dela, obviamente inclui seu meio irmão Barack.

Em junho de 2006, Obama contou como, após uma longa evolução religiosa, “um dia finalmente consegui caminhar pelo corredor da Igreja da Trindade Unida na Rua 95 na região sul de Chicago e atestar a minha fé cristã” com umachamada ao altar. Mas quando o seu pastor da Trindade Unida, Rev. Jeremiah Wright, foi questionado (por Edward KleinThe Amateur, página 40), “o senhor converteu Obama do islamismo para o catolicismo”? Se por ignorância ou discrição, Wright refinou a pergunta, respondendo enigmaticamente: “Difícil de se dizer”. Observe que ele não rejeitou de imediato a ideia de que Obama tinha sido muçulmano.

George Hussein Onyango Obama, meio irmão de 30 anos de Barack, que encontrou-se com ele duas vezes, disse a um entrevistador em março de 2009 que “ele pode estar se comportando de maneira diferente devido a posição que ocupa, mas por dentro Barack Obama é muçulmano”.

“O seu nome do meio é Hussein”

Os muçulmanos não são capazes de livrar-se da sensação de que, sob sua proclamada identidade cristã, Obama verdadeiramente é um deles.

Recep Tayyip Erdoğan, primeiro ministro da Turquia, referiu-se a Hussein como um nome “muçulmano”. Conversas entre muçulmanos sobre Obama às vezes mencionam seu nome do meio como código, sem necessidade de comentários adicionais. Uma conversa em Beirute, citada no Christian Science Monitor, capta essa impressão. “Ele tem que ser bom para os árabes, já que ele é muçulmano”, observou um merceeiro. “Ele não é muçulmano, ele é cristão” respondeu um cliente. Não, disse o merceeiro, “ele não pode ser cristão. O seu nome do meio é Hussein” O nome é a prova positiva.

A escritora muçulmana americana Asma Gull Hasan escreveu em “My Muslim President Obama”,

Eu sei que o Presidente Obama não é muçulmano, mas mesmo assim estou inclinada a acreditar que ele é, como a maioria dos muçulmanos que conheço também acredita. Em uma pesquisa de opinião nada científica, abrangendo desde familiares até conhecidos, muitos de nós sentem … que temos em Barack Hussein Obama o primeiro presidente americano muçulmano. … desde o dia da eleição, eu tomei parte em muitas conversas com muçulmanos em que havia a aceitação imediata ou deixavam escapar entusiasticamente que Obama é muçulmano. Em comentários sobre o nosso novo presidente, “eu tenho que apoiar meu irmão e patrício muçulmano”, escapava da minha boca antes que eu pudesse pensar duas vezes. “Então, eu sei que ele não é realmente muçulmano”, acrescentava eu. Mas se eu estivesse conversando com um muçulmano, ele diria, “é sim”.

A título de explicação, Hasan menciona o nome do meio de Obama. Ela conclui: “A maioria dos muçulmanosque eu conheço (inclusive eu) parece não aceitar que Obama não seja muçulmano”.

Se os muçulmanos têm estas sensações, não é de se surpreender que o público americano também as tenha. Cinco pesquisas de opinião realizadas entre 2008 e 2009 pelo Pew Research Center for the People and the Presscom a pergunta “Você sabe qual é a religião de Barack Obama”? constataram uma consistência de que 11 a 12 por cento de eleitores americanos declararam ser ele realmente muçulmano, sendo que as porcentagens bem maiores encontravam-se entre republicanos e evangélicos. O número subiu para 18 por cento em uma pesquisa do Pew emagosto de 2010. Uma pesquisa de opinião realizada em março de 2012 descobriu que a metade dos prováveis eleitores republicanos tanto no Alabama quanto no Mississippi considera Obama muçulmano. A pesquisa realizada pelo Pew de junho a julho de 2012 mostrou que 17 por cento dos entrevistados responderam que Obama é muçulmano e 31 por cento disseram que não sabiam qual era a sua religião e, apenas 49 por cento identificaram-no como cristão. Isso se traduz em uma divisão equilibrada entre os que acreditam que Obama é cristão e aqueles que não acreditam que ele seja cristão.

O fato de que aqueles que o veem como muçulmano praticamente na totalidade também desaprovam o seu desempenho em sua função, aponta para uma correlação em suas mentes entre a identidade muçulmana e a presidência fracassada. Que uma parcela substancial do público persista nesse modo de avaliação expõe o alicerce de relutância de pegar Obama pela palavra sobre ser cristão. O que por sua vez reflete a acepção amplamente difundida de que Obama não levou a sério sua biografia.

“Ele estava interessado no Islã”

  • Enquanto cursava na Indonésia, Obama participava de forma memorável das aulas corânicas; pouco conhecido, conforme recorda ele em março de 2004, era o “estudo da Bíblia e catecismo” na escola Asisi. Como estas aulas eram destinadas apenas aos crentes, participar de ambas estava errado. Vários ex-professores confirmam as lembranças de Obama. A seguir três deles falam a respeito:
  • A professora da primeira série de Obama na escola Asisi, Israella Dharmawan, relata a Watson do Los Angeles Times: “Naquela época, Barry também rezava como católico, mas Barry era muçulmano. … Ele foi matriculado como muçulmano porque seu pai, Lolo Soetoro, era muçulmano”.
  • O professor da terceira série de Obama em Besuki, Effendi, relatou a Anne Barrowclough do Times (de Londres), que a escola tinha alunos de várias religiões e se lembrava como os alunos participavam das aulas de suas próprias religiões – menos Obama, que insistia em participar tanto das aulas da religião cristã quanto da islâmica. E participava de ambas mesmo contrariando a sua mãe cristã: “A mãe dele não gostava que ele estudasse o Islã, mesmo seu pai sendo muçulmano. Às vezes ela vinha à escola, ela estava zangada com o professor de religião e disse ‘Por que você o ensina o Alcorão’? Mas ele continuava a frequentar as aulas porque estava interessado no Islã”.
  • Um administrador em Besuki, Akhmad Solikhin, mostrou (a um jornal indonésio o Kaltim Post em janeiro de 2007, tradução fornecida por “Um Americano Expatriado no Sudeste da Ásia,” aspas acrescidas para maior clareza) perplexidade quanto à religião de Obama: “Ele realmente foi matriculado como muçulmano, mas alega ser cristão”.

Esta dupla religiosidade, com certeza, começou a ser discutida quando Obama se tornou uma figura internacional e quando a natureza da sua afiliação religiosa acarretou implicações políticas; ainda assim, o fato de três figuras do seu passado indonésio terem independentemente afirmado o mesmo é extraordinário e aponta para a complexidade do desenvolvimento pessoal de Barack Obama. Também levantam a fascinante e inconclusiva possibilidade que Obama, já na tenra idade entre seis e dez anos, procurou combinar as religiões materna e paterna em um todo sincrético pessoal, apresentando-se como cristão e como muçulmano. De forma sutil, é exatamente isso que ele ainda faz.

Descobrindo a verdade

Concluindo, as provas disponíveis indicam que Obama nasceu e foi criado como muçulmano e reteve uma identidade muçulmana até o final de seus 20 e tantos anos. Filho de uma linhagem de muçulmanos do sexo masculino, recebeu um nome muçulmano, foi matriculado como muçulmano em duas escolas na Indonésia, estudava o Alcorão nas aulas de religião, ainda recita a declaração da fé islâmica e discursa para as platéias muçulmanas como um patrício crente. Entre o pai muçulmano não praticante, padrasto muçulmano e quatro anos vivendo no meio muçulmano, ele era visto e se via como muçulmano.

Isso não quer dizer que ele era um muçulmano praticante ou que continua muçulmano hoje, muito menos islamista, nem que o seu histórico muçulmano influencia significativamente seu enfoque político (que é típico de um americano de esquerda). Nem que haja algum problema quanto a sua conversão do islamismo para o catolicismo. O problema é Obama ter especificamente e repetidamente mentido sobre a sua identidade muçulmana. Mais do que qualquer outro simples engodo, a forma que Obama trata seu próprio histórico religioso expõe sua fraqueza moral.

Dúvidas sobre a honestidade de Obama

E assim, elas permanecem desconhecidas do eleitorado americano. Veja o contraste desse caso com o de James Frey, autor de A Million Little Pieces. Tanto Frey quanto Obama escreveram memórias incorretas que Oprah Winfrey endossou e subiu para o primeiro ligar na lista de bestsellers não ficção. Quando os artifícios literários de Frey sobre o seu consumo de drogas e criminalidade se tornaram aparentes, Winfrey caiu em cima dele de forma cruel, uma biblioteca reclassificou seu livro como ficção e a editora ofereceu a devolução do dinheiro aos clientes que se sentiram ludibriados. Já as falsidades de Obama são alegremente desculpadas, Arnold Rampersad, professor de inglês da Universidade de Stanford, que leciona autobiografia, considerou Dreams uma obra admirável “repleta de truques inteligentes—invenções com o intuito de obter efeito literário—que fiquei agradavelmente surpreendido, porque não dizer estupefato. Mas não se engane, são simples truques que fazem parte do jogo e a partir desses truques supõe-se que a verdade surgirá”. Gerald Early, professor de literatura inglesa e de estudos afro-americanos na Universidade de Washington em St. Louis, vai mais além: “Não importa se ele inventou coisas. … Não acho que seja importante se Barack Obama falou ou não a absoluta verdade em Dreams From My Father. O que importa é como ele quer conceber a sua vida”.

Estranho que uma história do submundo sobre suas atividades sórdidas inspirem altos padrões morais e que a autobiografia do presidente dos Estados Unidos seja aprovada. Dick Ardiloso, abra espaço para Barry Fraudulento.

 

Publicado no The Washington Times;
Original em inglês: Obama’s Muslim Childhood

Tradução: Joseph Skilnik

Fonte: Mídia Sem Máscara

A grande Alemanha, um sonho esotérico

Entrevista com Giorgio Galli a respeito das raízes ocultistas do nazismo, que estão entre as fontes da idéia de que o “espaço vital” do Terceiro Reich deveria chegar até os Urais. Um aspecto pouco estudado pelos historiadores, do qual se voltou a falar depois da queda do muro de Berlim.

Paolo Mattei

O professor Giorgio Galli não se considera apto a avaliar o esoterismo “por dentro”. Mas é um reconhecido estudioso do tema. A posição que assume, em suas palavras, “é a de um historiador e politólogo que considera que a cultura esotérica se entrelaça com a historiografia e as ciências políticas mais do que essas disciplinas consideraram até hoje”. Foi também com esse posicionamento que estudou a história do Terceiro Reich, publicando o resultado de seu trabalho num livro de 1989 que se tornou famoso: Hitler e il nazismo magico. Le componenti esoteriche del Reich millenario (Milão, Rizzoli). Galli enxerga coincidências significativas no ano de 1989: é o centenário do nascimento de Hitler, mas também o bicentenário da Revolução Francesa. Como explica no prefácio à segunda edição do livro, “esse ano de 1989 entraria para a história graças à revolução no Leste: exatamente um século depois do nascimento do Führer, caía o muro de Berlim, premissa de uma Alemanha novamente unida, potência hegemônica na Europa”.

Depois de quinze anos e de tantos fatos, depois da tragédia de 11 de setembro de 2001, estopim para guerras que continuam até hoje, a história de violência e morte da qual Hitler e o nazismo foram protagonistas continua a suscitar perguntas inquietantes, e a impor-se como parâmetro para medir a violência e a morte que todos os dias se espalham pelos lugares do mundo martirizados pelos conflitos. O possível subs­trato ocultista, mágico e esotérico do nazismo desperta o interesse de muita gente. A televisão tratou do tema várias vezes, e neste último ano ao menos dois livros tiveram razoável difusão na Itália de Giorgio Galli (Marco Dolcetta,Nazionalsocialismo esoterico, Roma, Cooper Castelvecchi, 2003; Mel Gordon, Il mago di Hitler. Eric Jan Hanussen: un ebreo alla corte del Führer, Milão, Mondadori, 2004).

Dirigimos algumas perguntas ao historiador, autor, entre outros ensaios sobre esoterismo e política, de La politica e i maghi (Milão, Rizzoli, 1995), Politica ed esoterismo alle soglie del 2000 (Milão, Rizzoli, 1992) e Appunti sulla new age (Milão, 2003), obra na qual analisa esse movimento cultural a partir também de documentos pontifícios.

Em seu ensaio sobre o Nazismo mágico, o senhor identifica uma “ponte esotérica” entre a Inglaterra e a Alema­nha, entre teorias e sociedades esotéricas e ocultistas presentes nas duas nações na passagem do século XIX para o XX. Essa ponte chegaria até os fundadores do nazismo. Como seria isso?

GIORGIO GALLI: Entre o final do século XIX e o início do século XX, as tradições esotéricas ganharam novo vigor tanto na Alemanha quanto na Inglaterra. Efetivamente, uma “ponte esotérica” entre os dois Estados, a ponte da Ordem Rosa-cruz, remonta já ao século XVII, inserida no quadro de uma cultura ocultista que não foi estranha à Guerra dos Trinta Anos, que devastou a Alemanha. Nas últimas décadas do século XIX, as relações entre os grupos esotéricos ingleses e alemães recobram sua força, e estabelecem-se laços estreitos entre pessoas influentes – baseados numa concepção “mágica” da realidade -, laços que se transmitem por algumas gerações. Há também elementos inquietantes nessa reconstituição. Um deles consiste na chamada “magia sexual”, ou seja, a conquista de poderes “especiais” derivados de práticas sexuais: em 1888, ano seguinte ao da fundação da Hermetic Order of the Golden Dawn, Londres foi agitada por uma série de crimes sexuais, cometidos por Jack, o estripador. O mistério a respeito dele dura até hoje. Alguns personagens e algumas relações marcam significativamente essa reimersão da cultura esotérica na Europa, como o encontro, em Londres, entre o ocultista francês Eliphas Levi, pseudônimo bíblico de Alphonse-Louis Constant, um ex-seminarista que depois se tornou revolucionário em Paris em 1848, e Edward Bulwer-Lytton, que teria um papel crucial no desenvolvimento da sociedade Rosa-cruz na hermética Golden Dawn. Depois de várias peripécias, entre atividades políticas e ocultistas, Levi escreveria um livro, A raça vindoura: nele, o autor fala do “Vril”, a forma de energia que viria a dar o nome a uma sociedade que, ao lado da atividade do fundador do Instituto de Geopolítica de Berlim, Karl Haushofer, forneceria uma contribuição fundamental para a elaboração da ideologia nazista, no que diz respeito à idéia de raça ariana e de “espaço vital”, o Lebensrau­m.

Qual é o precedente cultural e quais são as teorias comuns a esses grupos?

GALLI: Em primeiro lugar, uma concepção segundo a qual a história que conhecemos é apenas uma parte da história da humanidade. Só algumas elites de iniciados conhecem “toda” a história. A história antiqüíssima de civilizações puras e incorruptas. Esse saber e esses conhecimentos, dos quais é possível haurir mediante práticas e ritos ocultistas, transmitem um poder particular aos iniciados, que devem desempenhar também um papel político para administrar o futuro de uma humanidade decaída cujos dotes e características perdidos com o tempo é preciso restituir. Os componentes dessa sociedade se consideram depositários de uma antiga sabedoria primordial, que se manifesta muitas vezes em ritos particulares. Um fato interessante é que alguns adeptos de grupos esotéricos ocupam funções também nos serviços secretos de seus países. Um personagem chave, nesse sentido, é o alemão Theodor Reuss, da sociedade ocultista Ordo Templi Orientis, mestre do inglês Aleister Crowley. Crowley, também mestre do ocultismo e ao mesmo tempo agente do serviço secreto inglês, no final do século XIX adere à célebre Golden Dawn – uma derivação, como eu já disse, da Sociedade Rosa-cruz – e depois funda uma seção inglesa da Ordo Templi Orientis. A Golden Dawn, por sua vez, está ligada a associações alemãs conectadas à doutrina secreta da russa madame Elena Blavatskij – fundadora da Sociedade Teosófica, em Nova York, em 1875 – e à antroposofia de Rudolph Steiner.

Mas a história de Hitler e do nazismo se desenvolve depois desses episódios…

GALLI: Minha hipótese é de que essa “ponte”, que, como expliquei, unia a cultura esotérica, as ordens herméticas e os serviços secretos ingleses e alemães entre os séculos XIX e XX, tenha continuado a existir também no período imediatamente posterior, de modo tal que a formação intelectual de Hitler e de parte do grupo dirigente nazista se dá nesse tipo de cultura ocultista. Reuni dados que me permitem dizer também que esse grupo, que chegou à cúpula do Terceiro Reich, discute em seu âmbito como pôr em prática uma estratégia derivada daquela cultura, ou seja, a reconquista da “sabedoria ariana”. Da mesma forma, tenho condições de afirmar que a decisão de Hitler de entrar em guerra, convicto de que a Inglaterra não interviria, possa ser compreendida na ótica daquela cultura esotérica, a respeito da qual ambientes na cúpula da vida política inglesa estavam também informados. Toda a história do nazismo, a meu ver, deve ser lida levando em conta esse fator também.

De que forma Hitler entrou em contato com as experiências esotéricas? Quem foram seus mentores?

GALLI: O ponto de referência i­nicial pode ser a revista Ostara, da qual Hitler foi leitor assíduo, nos anos que passou em Viena. A publicação – que leva o nome de uma antiga deusa germânica da primavera, denotando, portanto, a ligação com a tradição nórdica e com as velhas divindades pagãs anteriores à difusão do cristianismo na Alemanha – foi fundada em 1905 por um ex-frade, Jörg Lanz von Liebenfels, que, entre outras coisas, instituiu uma sede em Werfenstein, o “Castelo da Ordem”, onde provavelmente, com o apoio financeiro de industriais, começou a patrocinar uma organização baseado na teoria da superioridade da raça ariana. Outro ponto de referência para a formação esotérica do futuro Führer é Rudolf von Sebottendorff, estudioso da cabala, de textos alquímicos e rosa-crucianos e das práticas ocultistas dos dervixes, e promotor, em Munique, no ano de 1918, da Thule Gesellschaft, associação derivada da Germanorden, uma sociedade que nasceu nos primeiros anos da década de 1910, fortemente caracterizada por elementos de anti-semitismo e racismo. Ao redor da Thule gravitaram Hitler, Rudolf Hess, Karl Haushofer e Hans Frank, o futuro governador-geral da Polônia. Era uma associação na qual dominavam a cultura ocultista e as doutrinas secretas amadurecidas nas décadas anteriores. A Thule – a mítica Atlântida, pátria dos hiperbóreos – foi, portanto, a matriz do grupo de intelectuais que está na origem do nazismo. Von Sebottendorff, além disso, publicou um livro em 1933, Antes que Hitler chegasse, no qual, desejando reacender o debate em torno das origens esotéricas do nazismo, conta ter sido o mestre ocultista do Führer. Mas aquele grupo de intelectuais, então já no poder, decidira havia tempo que era conveniente manter ocultos os elementos esotéricos e ocultistas a que fazia referência, para pôr em primeiro plano a organização política. Hitler, no ano da publicação do livro de Von Sebottendorff, já era chanceler do Reich. O ensaio, por isso, foi retirado das livrarias.

Quais são as características fundamentais do grupo esotérico a que Hitler faz referência?

GALLI: É preciso dizer como premissa que uma das dificuldades quando se trabalha neste campo é o fato de que a historiografia oficial, a historiografia acadêmica, ocupa-se pouco dessas coisas. O trabalho sobre o setor da cultura esotérica é deixado às vezes a estudiosos minoritários ou até a personagens muito extravagantes, que de qualquer forma elaboram freqüentemente pesquisas marginais. O fato de a historiografia oficial não se empenhar nessa direção torna mais difícil o encontro de documentos seguros. Estou convencido de que, se houvesse mais interesse, alguma coisa se encontraria. Mas respondo a sua pergunta. Mencionei civilizações e patrimônios sapienciais antiquíssimos – a Atlântida é a referência mais importante -, um componente cultural baseado na história fantástica, na geografia fantástica, na cosmogonia fantástica e nas leis ocultas que as guiaram. Hitler considera que as razões fundamentais de sua ação política se encontram nesse passado distante, numa sabedoria mágica que deve ser recuperada e na qual está o instrumento para forjar o futuro luminoso. O grupo de intelectuais da Thule, que na década de 1920 decide transformar a seita ocultista em partido político de massas, crê convictamente nessas coisas. Existem, portanto, duas dinâmicas: a profunda convicção dos iniciados que trabalham nesses grupos e, ao mesmo tempo, uma certa influência que eles, por motivações amplamente aprofundadas pelos estudiosos, exercem em alguns momentos históricos sobre os movimentos políticos. Hitler, Himmler, Hess, Rosenberg, Frank: eles se consideram os herdeiros de uma sabedoria antiga que lhes permitirá serem construtores de uma nova civilização. Deve-se dizer que até um historiador muito admirado e “tradicional” identificou e valorizou alguns desses filões esotéricos: foi George Mosse, que, nas Origens culturais do Terceiro Reich, aponta explicitamente para o esoterista Guido von List e sua simbologia rúnica como um dos pontos de referência de Hitler. Das runas estudadas por Von List provém a sigla das SS, as milícias que Himmler utilizará para pôr em prática seus projetos elaborados no âmbito da cultura ocultista.

Hitler é descrito muitas vezes como um homem ignorante, um homem sem qualidades. Como consegue se impor no grupo esotérico do qual faz parte?

GALLI: A tendência muito difundida a designá-lo como um ignorante caracteriza também o trabalho de Joachim Fest, o biógrafo do Führer, que foi consultor deste último filme sobre Hitler que saiu na Alemanha, Der Untergang (A queda). Fest compôs uma excelente biografia de Hitler, mas tende a representá-lo como um líder de batalhão e homem de poucas leituras, limitadas a opúsculos de propaganda anti-semita. Isso não é exato. Hitler leu Nietzsche e Schopenauer. Ele se destaca no grupo de Rosenberg, Hess, Himmler e Frank porque possui duas características que podem até prescindir da cultura esotérica. É um orador extremamente eficaz e um hábil organizador. Talvez tenha aprendido com o mago Hanussen a primeira característica, a forma quase hipnótica de se comunicar com os ouvintes. Sabemos, com segurança, que Hitler tomava aulas de dicção com Hanussen. Mas aprendeu alguma coisa a mais daquele mago. Hanussen era um personagem dotado de capacidades hipnóticas, e o livro de Mel Gordon reconstrói bastante bem essa história. Em Mein Kampf, Hitler propõe, além de uma ideologia esotérica, também programas precisos de organização, que dão a idéia de que foram elaborados por um bom político. Himmler, o burocrata do extermínio, tem características organizativas semelhantes, mas não é de modo algum um bom comunicador. Tal como Hess também não é. Rosenberg é apenas um escritor muito eficaz… Desse grupo ligado à cultura esotérica, ninguém tinha, enfim, os dois dotes específicos que Hitler possuía.

No Mein Kampf são indicados os objetivos prefixados por Hitler: a criação de uma Eurásia de fronteiras orientais indefinidas, um “condomínio” mundial com a Inglaterra…

GALLI: Sim, é uma estratégia esotérica, na qual se entrelaçam ocultismo e geopolítica. Haushofer é quem elabora as teorias relativas ao “espaço vital”. Baseado em considerações místicas e espirituais que identificam a nação alemã como o centro do mundo, mas também fazendo referência a outros teóricos de geopolítica – como o inglês Halford John Mackinder, que havia identificado a Europa Oriental e a Rússia européia como o “coração da terra” -, Haushofer está convencido de que para reconstituir a civilização ariana seja preciso construir uma grande área que vá da Europa Ocidental aos Urais. O espaço vital – o Lebensraum – da nova sociedade ariana. A Alemanha é o fundamento dessa organização geopolítica que prenuncia a criação de uma nova civilização e de um homem novo que recupere as antigas virtudes perdidas. Os judeus, que têm um sonho hegemônico mundial contraposto a este, são marginalizados e, depois, eliminados. Portanto, o Drang nach Osten nasce desse projeto de natureza esotérica.

Mas há homens na cúpula do Terceiro Reich que não compartilham da mesma cultura de Hitler e de seus companheiros…

GALLI: É verdade, mas eles também são influenciados pelo ocultismo: o pragmático Göring interessa-se pela teoria da “terra oca”, Goebbels fica intrigado com Nostradamus… De qualquer forma, Goebbels e Göring compartilham o programa de Hitler justamente porque, de um modo ou de outro, são sugestionados por suas convicções esotéricas.

Chegamos à viagem de Hess à Escócia, em maio de 1941. Essa travessia acontece também sob signo esotérico…

GALLI: O projeto de condomínio com a Inglaterra, com base no Lebensraum como premissa para a construção de uma nova humanidade, nunca foi deixado de lado, nem mesmo depois do início da guerra, quando ficou evidente que a previsão de neutralidade da Grã-Bretanha não se havia realizado. A “ponte” ainda estava de pé. O episódio da prisão dos tanques alemães em Dunquerque, em 1940, que permitiu a fuga dos anglo-franceses, pode ser interpretado também com essa chave de leitura: seria uma tentativa de chegar a um acordo com os interlocutores esotéricos presentes na Ilha. Em 10 de maio de 1941, Hess voa para a Escócia para tentar convencer esses interlocutores a não intervirem no momento da invasão da URSS. Provavelmente, quer encontrar os herdeiros de sociedades do tipo da Golden Dawn, com os quais se pode discutir, e que têm relações com a Família Real. Seja como for, é o duque de Hamilton que Hess busca, sem dúvida. Ele é uma pessoa de confiança do rei da Inglaterra. É filonazista e há muito tempo tem relações com Hess e a cúpula do Reich. A decisão dessa viagem nasce provavelmente depois de um debate na cúpula esotérica nazista; portanto, é plausível que Hitler estivesse a par dela. A operação recebe a cobertura de um maciço esquema de desinformação. Mas Hess e os nacional-socialistas se iludem: aquela “ponte” ainda existe, mas já está fraca demais para permitir que passe por ela uma espécie de acordo entre a Alemanha e a Inglaterra a respeito do Drang nach Osten. Em maio de 1941, os aristocratas ingleses também já estão “resig­nados” a declarar guerra contra a Alemanha.

Em seu livro, o senhor explica como Hitler procura chegar a um acordo com a Inglaterra até o último minuto.

GALLI: Sim. Depois da derrota na Rússia, Hitler, em vez de tentar combater a contra-ofensiva russa, desloca as divisões blindadas do front oriental para o ocidental. A tática é sempre a mesma: “Obrigar a Inglaterra à paz pela força”, como ele mesmo parece ter dito. Hitler acredita até o fim que aquela “ponte” esotérica possa ser reconstruída.

Como é possível que a partir de experiências esotéricas se consiga chegar a um poder tão grande como o que detiveram Hitler e seus sócios na Alemanha?

GALLI: Eu sempre procurei evitar privilegiar exclusivamente a chave de leitura do esoterismo para explicar determinados fatos. Como eu já disse, certamente esse é um aspecto importante e negligenciado. Mas Hitler chega ao consenso por razões que a historiografia já estudou abundantemente e que eu não ponho em discussão: a humilhação alemã depois da Primeira Guerra Mundial, as frustrações que derivaram da derrota e do Tratado de Versalhes, a crise econômica de 1929, que produz 6 milhões de desempregados, a política de Weimar, que não consegue exprimir uma resposta eficaz a esses problemas. Essas são as principais razões que permitem a Hitler tomar o poder. Hitler consegue enfrentar o desemprego mesmo antes do rearmamento, por meio de grandes obras públicas, aceitando os conselhos do financista e político Hjalmar Schacht, que é um keynesiano. Por outro lado, Hitler, noMein Kampf, apresenta um projeto político que têm aspectos normais, como, justamente, a luta contra o desemprego.

August von Galen, bispo de Münster durante o período nazista, definido peloNew York Times como “o opositor mais obstinado do programa nacional-socialista anticristão”, falou do nazismo como um “engano religioso”…

GALLI: De certa forma, é mesmo. Pio XI também demonstrou sua forte preocupação por meio da publicação da Mit Brennender Sorge. Ele falava do neopaganismo. Na realidade, pode-se falar de algo mais que o neopaganismo. Todas as cerimônias nacional-socialistas seguem um modelo religioso: as luzes, o Führer que aparece como uma revelação mágica. Todas têm um caráter de liturgia mágica.

Parece que Churchill, o grande opositor dos programas esotéricos do Führer, também não desdenhava da companhia dos ocultistas…

GALLI: Em meu livro La politica e i maghi, eu explico como até mesmo Churchill acreditava em videntes. Churchill era um conservador absoluto e um anticomunista absoluto. Não nos esqueçamos de que colaborou com o Popolo d’Italia de Mussolini. Em sua visão de mundo, só os povos de língua inglesa estão à altura da democracia. Para os outros povos, serve qualquer forma de regime. Para ele, a história do Ocidente coincide com a história dos povos anglófonos. Hitler, portanto, poderia até tê-lo agradado, como agradava a certos setores conservadores da sociedade inglesa. Mas, a meu ver, Churchill tinha relações com sociedades esotéricas que lhe haviam fornecido certo número de informações relativas à “contra-iniciação do Führer”.

Como assim?

GALLI: Na cultura esotérica, existe uma diferença fundamental entre “iniciação” e “contra-iniciação”. A iniciação – a maçônica, para dar um exemplo claro – seria positiva. A contra-iniciação, por sua vez, teria algo de diabólico: Churchill ficou sabendo que Hitler era um “contra-iniciado”. Churchill, portanto, estando a par do precedente “esotérico-diabólico” da contra-ini­ciação de Hitler, temia que, por trás dos objetivos negociáveis – mão livre na Europa e no Leste da Alemanha e garantia de continuidade do Império inglês -, que provavelmente ele poderia aceitar, houvesse objetivos não negociáveis: o império do mal. Hitler não queria apenas um império de tipo geopolítico. Queria um império sobre as consciências, baseado numa série de valores que até o conservador anticomunista Churchill via como negativos e inegociáveis. O fato é que a profecia de Hitler sobre o fim do império britânico substancialmente se realizou. Hitler profetizou que Churchill destruiria o império inglês e entregaria o cetro imperial aos Estados Unidos.

Uma última pergunta, professor. René Girard disse recentemente numa entrevista que “o desprezo nazista pela ternura cristã para com as vítimas não tem origem na história”. O professor francês afirmou também temer que “no futuro alguém tente reformular o princípio de maneira mais politicamente correta, talvez revestindo-o de cristianismo”. O que o senhor diz disso?

GALLI: Girard é um grande estudioso, documentado e de intuições muito ricas. Creio que seja possível pensar num nazismo “revestido de cristianismo”, mesmo porque o nazismo, com suas características específicas, é irrepetível. Eu não acredito que a democracia representativa possa ser posta em crise por movimentos autoritários como os das décadas de 1920 e 1930. Existe, porém, o risco de que nas democracias ocidentais se mantenha a forma da democracia, sem a substância. Os partidos já não serão postos fora da lei, as liberdades civis serão garantidas em certa medida, mas, ao mesmo tempo, pode haver o risco de que só restem as fórmulas da democracia e se elimine a substância. Poderia haver uma não-democracia disfarçada de democracia. Da mesma forma, a intuição de Girard é plausível: tal como é possível que uma antidemocracia se apresente com fórmulas aparentemente democráticas, do mesmo modo é possível que um anticristianismo que despreza as vítimas como fez o nazismo possa, na realidade, agir revestido de formas cristãs. Eu não gostaria de entrar demais num campo que não conheço, mas sei que existem, e são cada vez mais difundidas, publicações que exprimem tendências que eu creio possam ser definidas como “integralismo apocalíptico”. Essas tendências poderiam de alguma forma prefigurar um risco como esse de que fala Girard. Algumas das características isoladas que concorreram para a difusão do nazismo poderiam reaparecer nesse contexto.

Fonte: http://www.30giorni.it/articoli_id_5415_l6.htm#