A urna eletrônica

Dielle Leite

Segundo o engenheiro Amilcar Brunazzo, não é possível afirmar  se  já houve ou não fraude nos resultados da urna eletrônica, mas, no decorrer do vídeo você poderá perceber que esta dúvida é ainda mais pertinete, pois, o TSE restringe o acesso das auditorias, permitindo somente a auditoria do software e não a dos resultados armazenados na urna eletrônica.

O engenheiro fala também sobre o “Princípio da Independência dos Softwares Eleitorais” que consiste em, como o próprio nome já diz, os dados serem independentes da máquina, ou seja, independência de software (programa) para com o hardware (equipamento) sendo o voto “materializado” para fins de conferências.

Brunazzo, cita duas formas existentes atualmente, que são:

– Assinaturas scanneadas¹: onde o eleitor escreve o voto à mão e, logo após é

scanneado e depois tranforma-se em linha eletrônica.

– Impressão do voto: o eleitor votaria em uma urna eletrônica comum e depois de

finalizado o voto ela imprimiria um comprovante para ser utilizado em casos de

recontagem de votos. Método este, utilizado na Venezula desde 2004.

É a partir do acúmulo de poder da Justiça Eleitoral que surge a dúvida de que se pode considerar total confiança na urna eletrônica, pois, a mesma limita toda a análise de softwares, testes e auditoria de resultados. Caso seja encontrado algum erro, os interessados na correção têm que entrar com uma ação com pedido de análise do erro, onde quem vai analisar e julgar são eles próprios.

Então, surge a dúvida, é possível depositar total confiança nos avaliadores?!

Confira o vídeo!

¹ Scanneadas: Palavra derivada de Scanner. O scanner é uma máquina utilizada para criar

cópias digitais para o computador.

A política cearense em tempo de eleição

Os arranjos novelescos que antecedem uma vitória quase que por W.O.

por Bruno Pontes

Enquanto as candidaturas de José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) formam dois blocos relativamente bem definidos, os partidos no Ceará movimentam-se alheios aos posicionamentos tomados em âmbito nacional. Presidente estadual do PSB, partido prestes a embarcar oficialmente na coligação pró-Dilma, o governador Cid Gomes deve apoiar, mesmo que informalmente, a reeleição de Tasso Jereissati (PSDB) ao Senado, ele que é um dos mais destacados opositores ao governo Lula naquela Casa.

Sem candidato próprio ao Governo, o PSDB deve acompanhar Tasso no apoio à reeleição de Cid. A parceria entre o senador tucano e o governador socialista causa rebuliço entre os petistas cearenses, assombrados pela entrada em cena de Tasso ao lado do governador que eles ajudaram a eleger em 2006.

Na chapa de Cid ao Senado, o PT quer José Pimentel e Eunício Oliveira (PMDB). Na última sexta-feira, diretórios petistas do Interior reuniram-se para marcar posição: para eles, o PT deve romper com o PSB caso Cid endosse a reeleição de Tasso. Não se sabe em qual medida a reivindicação dos companheiros interioranos pode encontrar eco no comando do partido, presidido pela prefeita Luizianne Lins. Mas o fato é que o PT tem feito articulações com o fim de construir um arranjo eleitoral paralelo, a ser acionado em caso de necessidade.

Opção PR

Luizianne e outros líderes petistas já tiveram conversas com o PR do ex-governador Lúcio Alcântara. Caso Cid deixe Pimentel de fora (o governador já manifestou-se a favor de Eunício), os petistas aliam-se a Lúcio numa dobradinha que pode configurar-se com a candidatura deste a governador e Pimentel a senador, ou vice-versa. A possibilidade deste cenário foi comunicada ao jornal O Estado pelo filho de Lúcio, deputado federal Léo Alcântara (PR), em entrevista no início deste mês.

Na posse como presidente estadual do PT, em fevereiro passado, e tendo Cid ao seu lado no palanque, Luizianne declarou que o partido tem por missão em 2010, além de eleger Dilma, colocar Eunício e Pimentel no Senado. Deve ser considerado que a candidatura do ex-ministro da Previdência é de interesse do presidente Lula, o que pode levar o PT cearense, no fim das contas, a recorrer ao PR. O partido de Lúcio, que foi governador pelo PSDB, integra a base do governo Lula e já declarou oficialmente apoio a Dilma. Ilário Marques, ex-prefeito de Quixadá, membro da executiva estadual do PT, declarou recentemente que ele próprio e Pimentel são nomes viáveis para uma eventual candidatura própria ao Governo.

Sem oposição

Marchando nacionalmente para levar José Serra à Presidência da República, o DEM, no Ceará, arruma a casa para entrar na coligação em favor da reeleição de Cid. O presidente estadual do partido, Chiquinho Feitosa, recentemente afastou da cúpula correligionários que batalhavam para manter o partido na oposição ao governador. O sociólogo Ruy Câmara, destituído da vice-presidência, saiu atirando: em nota divulgada à imprensa, acusa Feitosa de seguir um “plano irresponsável e inconseqüente” para “esfacelar o que ainda poderia restar de forças de oposição no Ceará”.

Ele chama atenção para o fato de que a eleição caminha para ser uma das vitórias mais fáceis da história da República, visto que, até o momento, só existe a modesta candidatura da desconhecida Soraya Tupinambá (PSOL) para confrontar Cid nas urnas. “A imprensa já noticia que no Ceará não haverá disputa eleitoral na forma tradicional porque os pré-candidatos aos cargos majoritários não querem disputar as eleições; o que querem é ser ungidos por acordos prévios de gabinete para os cargos de governador e de senadores”, acrescenta Câmara.

Fonte: Jornal O Estado

Ciro Gomes, fator imponderável

O que será que Ciro vai aprontar dessa vez?

Nivaldo Cordeiro

O site do IG trouxe agora o destaque das declarações de Ciro Gomes, praticamente confirmando que foi abandonado pelo PSB e pelo PT, não havendo como manter a candidatura à Presidência da República. Penso que ao observador não deve escapar o fato, relevante em si. Ciro Gomes é um cacique diferente, genioso, agressivo, de perfil ideológico indefinido, camaleônico. Não devemos nos esquecer de que Lula deixou de viajar ao exterior quando tentou, em Recife, convencer o deputado cearense a abandonar a disputa, em fevereiro último.

Naquela data Lula padeceu de “cirose” aguda, que Ciro Gomes é língua solta e temerário e não respeita ninguém. A viagem foi proibida pelo médico presidencial. Não é fácil dizer não a Ciro Gomes sem tomar sopapos.

Como Ciro reagirá a esse fato? Vimos que a recente visita que Dilma Rousseff fez a terras cearenses não foi um passeio no parque. O governador Cid Gomes, seu irmão, ignorou-a. É provável que o PT tenha perdido o palanque no Estado do Ceará, assim ajudando enormemente à candidatura adversária, fraca no nordeste.

A proximidade de Ciro Gomes com Tasso Jereissati, senador do PSDB e seu padrinho político, a quem já declarou apoio e por quem fará campanha, é um complicador adicional. É bem verdade que a manutenção da sua candidatura prejudicaria enormemente os planos do PT, que o incentivou tão somente visualizando a possibilidade de fustigar José Serra em São Paulo. O plano não deu certo e agora a cúpula petista terá que domar a fera. Não creio que Ciro Gomes queira romper com o PT, mas se Serra crescer nas pesquisas, como de fato tem crescido, a tendência é de uma composição com os correligionários de Tasso Jereissati.

É preciso reconhecer em Ciro Gomes uma forte liderança no nordeste e também no eleitorado nordestino residente em São Paulo. Declarações suas contra Lula e o PT terão efeito devastador justamente no segmento onde Lula é mais forte. Como Ciro Gomes é genioso e imprevisível, será divertido observar os próximos movimentos. É possível que Ciro, vaidoso como só ele é, acabe por chutar o pau da barraca.

Esse é mais um elemento a complicar o xadrez eleitoral de Dilma Rousseff. O PT alimentou a cobra e agora terá que lidar com ela, que é forte e porta veneno. Aguardemos.

Fonte: Mídia Sem Mascara