Lula por ele mesmo

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A Europa está perante uma ameaça totalitária sob a capa de democracia

Orlando Braga

AO CONTRÁRIO do que está escrito aqui, no Ocidente não existe “diferendo”, porque “diferendo” implica a aceitação da diferença — diferendo vem de diferença. O problema do Ocidente é a “ruptura”, e não um “diferendo”. Qualquer que seja a reificação política e cultural resultante da actual ruptura, ela será sempre totalitária.

O niilismo, de que nos fala a citação, tem pelo menos duas vertentes — a neoliberal e a marxista cultural — e não só uma como, aparentemente, nos quer fazer crer. Não existe apenas e uma só manifestação de niilismo. As coincidências de estratégia verificadas entre os dois tipos de niilismo são perspectivas de confrontos de ruptura ainda mais radicais que estão desde já alinhavados — e daí a verosimilhança de um totalitarismo adventício.

A ruptura ocidental é trilateral: é, por um lado, uma ruptura entre os dois niilismos entre si, e por outro lado uma ruptura entre os dois niilismos em relação à História. A ruptura é, por sua própria natureza, radical — ao contrário do que acontece com o diferendo, que supõe a possibilidade de diálogo através da análise e síntese. E a única forma de atenuarmos a ruptura, ou mesmo substituirmos a ruptura pelo diferendo, será sempre através do retorno à História — o que parece ser uma impossibilidade objectiva, tendo em conta as naturezas dos dois niilismos.

Tendo em consideração a realidade da natureza da ruptura, já não podemos falar em “modo de viver ocidental”. O “modo de viver ocidental” é já uma ucronia. Só se poderia falar em “modo de viver ocidental” se existisse a possibilidade de diálogo — o tal “diferendo”. O “diálogo de surdos” traduz essa ruptura radical entre os dois niilismos entre si, e entre estes em relação à História.

O niilismo, por sua própria natureza, é irracional — embora se esconda, muitas vezes, sob a capa do racionalismo. E reside na irracionalidade do niilismo a impossibilidade da sua reversão, porque este se comporta — em termos culturais — analogamente a uma doença terminal. A irracionalidade do niilismo não permite a reversibilidade da “doença cultural”. O corolário do império dos niilismos e da ruptura será, provavelmente, a constituição de determinadas comunidades reconciliadas com a História que habitarão nas novas catacumbas da sociedade e da cultura.

Os niilismos das elites — em aliança, ou em acções isoladas — tenderão a reduzir, numa primeira fase, os “relapsos culturais” a comunidades fechadas e guetizadas (os novos “guetos culturais” do Ocidente); e depois, numa segunda fase, as elites combaterão essas comunidades que eles próprios restringiram ao limbo da sociedade. E serão essas comunidades, porventura até organizadas em segredo e mesmo na clandestinidade, que possivelmente poderão regenerar a sociedade futura reconciliada com a História.

Fonte: perspectivas

Teorias Conspiracionistas

Clara Mítia

Bem, não gosto de teorias “conspiracionistas”, mas gosto de coisas que me fazem pensar. Assista esse vídeo, pesquise e tire suas conclusões! (Vídeo abaixo)

Os potenciais malefícios relacionados ao aspartame, glutamato monossódico, pesticidas e transgênicos já são conhecidos pela comunidade científica. Infelizmente o que mais se vê são refrigerantes, bebidas e alimentos contendo aspartame e glutamato monossódico. Não é novidade, mas não se divulga isso pra população. Como que as pessoas farão boas escolhas sem acesso à informação, estando apenas sob o julgo da propaganda mercantilista? Ciência que não vira informação acessível não vale de muita coisa!

Não sou da área de toxicologia, mas em 2011 participei de uma palestra na Semana Farmacêutica da USP, com a Dr.ª Gisela de Aragão Umbuzeiro, professora e pesquisadora da UNICAMP na área de Toxicologia Ambiental. Fiquei bastante intrigada com muitos estudos apontando que estamos mexendo com a fertilidade das populações aquáticas. Em alguns casos já é possível observar alta concentração de hormônio (ou substâncias semelhantes) na água, como é o caso referente às indústrias produtoras de leite de soja, as quais liberam efluentes ricos em compostos estrogênicos. Hoje se defende tanto o uso dos anticoncepcionais femininos, mas estudos comprovam que esses hormônios liberados na urina estão contaminando nosso meio ambiente, iniciando um processo de alterações sexuais em organismos aquáticos. Nosso tratamento de água convencional não consegue extrair da água todos os compostos, especialmente os parecidos com os produzidos pelo nosso organismo. Água contaminada com hormônios ou substâncias semelhantes está causando esterilidade em espécies de caracóis. O próprio FDA (Food and Drug Administration) está reavaliando a utilização do triclosan, um composto extremamente utilizado em cosméticos, desodorantes, sabonetes, cremes dentais e desinfetantes. Em meio aquático, esse composto transforma-se em dioxina, um composto tóxico para a vida aquática, sem falar em potenciais riscos à saúde. E se pensarmos a longo prazo, quais malefícios serão observados em nós, humanos? Não gosto de alarmar, mas é algo a se pensar muito seriamente.

O FDA é o órgão que controla medicamentos e alimentos no mundo. Infelizmente a Indústria Farmacêutica é uma grande máfia. A de Alimentos também não está muito longe disso, pois é só observar a onda FAST FOOD que está sendo responsável por criar uma geração de obesos. Retornando à Indústria Farmacêutica, estudos conduzidos na Índia e no Nepal verificaram declínio na população de urubus que comiam carcaça de vacas que haviam sido tratadas (adivinhem com o que?) com DICLOFENACO. Também é assustador o uso e a prescrição indiscriminada de ansiolíticos e antidepressivos. Nos EUA o uso indiscriminado de antidepressivos está causando grandes problemas, especialmente em crianças. Sem generalizações, mas crianças normais estão sendo diagnosticadas com hiperatividade e TDHA (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Não compreendo, mas acho podemos ter cuidado com generalizações. Crianças tomando medicamentos controlados, enquanto gostariam apenas de ter uma vida normal, sem uma rotina enfadonha de cursos de inglês, aulas de reforço, e etc. Antigamente criança chegava da escola, corria, brincava e ia fazer o dever de casa. Chega de querer fazer da criança um mini adulto! Gente, criança quer brincar e crianças ativas, que se movimentam, que perguntam, sendo diagnosticadas com TDHA? Muito cuidado! Criança quer ter pai e mãe no final do dia pra fazer a tarefa da escola, comer e brincar só isso. Está na hora de pararmos de aceitar passivamente tudo o que a Indústria nos impõe!

Falando da Monsanto, o Brasil é o maior consumidor de praguicidas do mundo. Pergunte aos executivos da Monsanto se eles comem o que produzem? Claro que não! Eles não usam as drogas que fabricam. Há os que vão defender a produção de alimentos em grande escala a fim de reduzir o custo e evitar problemas no abastecimento de alimentos para a população mundial. O problema não é bem esse. O Brasil é o 4º maior produtor de alimentos do mundo e o 6º em desnutrição. 61% da produção de alimentos, do campo à mesa do consumidor, é desperdiçada no Brasil. O problema é educação, escoamento eficiente dos produtos e não PRODUÇÃO DEFICIENTE! Há muito mais gargalos do que possamos imaginar…

Quanto à Engenharia Genética, esta pode ser grande aliada ou inimiga perigosa… Criar um organismo geneticamente modificado infla o ego de muita gente e a maioria dessa turma esquece a ÉTICA quando o assunto é ganhar dinheiro. Não estamos mais sob as forças da evolução darwinista, a seleção natural das espécies. Estamos forçando mudanças genéticas, fazendo da Terra um imenso laboratório onde não sabemos no que vai dar… Não duvido que haja interesse político e financeiro por trás de muita coisa…

Ainda bem que tem gente com coragem de questionar o que insistem em nos enfiar goela abaixo. Falando de gente assim, o climatologista Dr. Ricardo Augusto, professor e pesquisador da USP, defende que o aquecimento global é uma grande farsa criada pela indústria mundial e que os problemas são outros, denunciando haver muito interesse político e financeiro por trás de tudo que nos é imposto. Infelizmente ele teve redução de financiamento em suas pesquisas por conta das denuncias que fez… Tentativas de calar sua boca, talvez…

Enfim, como profissional da Tecnologia de Alimentos, preciso me posicionar!

Defendo o enfrentamento à fome e à pobreza, defendo a agricultura familiar pois precisamos do homem no campo produzindo alimento e gerando renda. Defendo a agricultura orgânica em respeito à diversidade ambiental e como uma oportunidade de oferecer alimentos sem agrotóxicos. Defendo as pesquisas genéticas, mas que estas estejam regadas pela ética. E mais que tudo, defendo a CAPACIDADE CRÍTICA do ser humano, autor da própria história, capaz de questionar tudo o que lhe é imposto.

Informe-se e tire suas próprias conclusões. Essas são as minhas.

 

*Clara Mítia  é Tecnóloga em Alimentos.

GEORGE STEINER E O CATOLICISMO

Nivaldo Cordeiro

Foi chocante ler na Introdução do livro de George Steiner: “A meu ver, não será possível que a cultura europeia recupere as energias que a alimentam e o auto-respeito enquanto o mundo cristão (sic) não assumir sua responsabilidade pelo papel seminal que teve na preparação da Shoah (Holocausto), enquanto não reconhecer sua hipocrisia e sua impotência quando a história da Europa encontrava-se em um ponto crucial” (Nenhuma Paixão Desperdiçada, Editora Record, 2001). Nessa sentença há mais confusão e ignorância do que poderíamos imaginar à primeira vista, sobretudo por vir de um autor de erudição enciclopédica. A miopia de Steiner só foi possível porque ele, judeu de nascimento, parece jamais ter tido um pingo de fé. Não sabe de onde veio a Verdade. Se admirou e exaltou os heróis judaicos da ciência, teve pouca ou nenhuma palavra para os profetas, os grandes e verdadeiros heróis do judaísmo. Um ateu darwinista não poderia entender o Holocausto.

No mesmo livro temos um ensaio provocador sobre a colonização e o papel dos EUA nos tempos modernos (Os Arquivos do Éden). Ele acertou em quase tudo na intepretação da América, menos naquilo que é absolutamente essencial: a América como a realização plena do Estado moderno, da sociedade de massas, do triunfo do homem-massa. Por não compreender isso, sua interpretação da história daquele país naufraga dramaticamente. Steiner anseiava pela ordem aristocrática sem se dar conta de que ela é incompatível com o Estado moderno. Mais e mais caminhamos para a oclacracia. O que é Obama nas alturas? A ococlaria em Estado avançado.

Ponto número um. O catolicismo não tem qualquer responsabilidade no Holocausto. Steiner, se tivesse sobrevivido, literato como foi teria apreciado a obra de Johathan Littel, judeu como ele, que escreveu o romance definitivo sobre a loucura do nazismo (As Benevolentes). Mas nem precisaria. Bastaria ter compreendido corretamente a obra de Goethe e de Thomas Mann. E de Nietzsche. Steiner decorou esses autores, mas não os compreendeu. E por isso não compreendeu o nazismo. Algo notavelmente trágico para quem foi judeu militante, embora ateu (um paradoxo).

Ponto número dois. A América foi resultado da ocupação do território americano por gnósticos inimigos do catolicismo, daí talvez porque Steiner tenha tido tanta simpatia pelos Puritanos e pelos seus esforços colonizadores. Teria ele também apreciado outro autor, Comac McCarthy (Meridiano de Sangue), que fez relato dramático do extermínio dos índios para limpar o território para a ação civilizatória dos Puritanos. O Éden era o inferno na terra. O sacrifício humano ali realizado foi antecipação do nazismo. McCarthy, como eu, vê o Mal personificado em ação, o mesmo que atacou pelas mãos dos nazistas, que viraram seu servo.

Compreender a obra Goethe é essencial. Ele fundou o esteticismo alemão, uma mistura malsã de protestantismo e satanismo, que teve o grande mérito de narrar o que se passou na mente europeia do século XVIII, quando a mente revolucionária se consolidou e tomou de fato o poder de Estado na Europa. Essa gente foi vitoriosa contra o catolicismo, que sempre viu nesse movimento a mão de Satã. O essencial desse autor é que ele não reconhecia papel relevante para o cristianismo/catolicismo na Europa, mas apenas para o grego e o teutônico. É como se a Igreja de Roma jamais tivesse existido. Steiner também pensava semelhante, macaqueando Goethe, só que no lugar do teutônico colocou o judeu. O fato é que essa mistura de protestantismo com satanismo engendrou Hitler, cujo herói maior, além do próprio Goethe, era Nietzsche, autor que nunca escondeu seu desprezo pelos judeus e pelos cristãos.

Quem matou os judeus no Holocausto foram os que seguiram Nietzsche e Goethe, inclusive judeus, como Kelsen, que levaram seu materialismo às últimas consequências, inclusive contra si mesmos. Não foram os que seguiram o Evangelho de Cristo. Esse é o horror desses tempos, em que o Mal deixou de botar medo nos intelectuais a ponto de se oferecerem eles mesmos como sacerdotes do Maligno. Acusar o catolicismo é ignorar que o esteticismo, na esteira no Renascimento e da Reforma, já o tinha feito e derrotado politicamente. Estados controlados pelos seguidores do esteticismo é que fizeram a matança, para horror dos verdadeiros cristãos.

Pior. Esse movimento dantesco de consagração acrítica ao Mal continuou mesmo depois de Hitler, como mostra adesão ao comunismo e suas variações coletivistas, filhos diretos do esteticismo alemão. Uma variante triunfal desse movimento é a doutrina dos direitos humanos, esposada por Hanna Arendt (Celso Lafer entre nós) e que é uma mixórdia satânica que não apenas não tem forças para conter a tirania, como ela pensava, mas é ela própria veículo para a tirania. Sessenta anos depois estamos vendo onde foi dar essa loucura que envenenou o Direito: na multiplicação de falsos direitos que não passam da positivação de vícios variados, todos anticristãos. É o triunfo do Mal e o ocaso do Bem.

O Estado norte-americano é o esplendor do Estado moderno, no que ele tem de mais destrutivo e anticlássico. No filme Lincoln podemos ter um relance no momento da construção desse império moderno. Talvez o único grande império que restou, depois da derrocada da ex-URSS.

Todo o drama da confusão de Steiner se dá porque ele não compreendeu qual é a fonte última da Verdade. Uma aula com Olavo de Carvalho teria lhe aberto os olhos (Espírito e personalidade) Não é o intelecto humano que comanda a descoberta. Por sua maneira de escrever fica a impressão de que há um elemento de raça darwinista nessa descoberta, com privilégios para gregos e judeus. Uma teoria racista por detrás da sua argumentação, igualzinha à dos nazistas. Ideia falsa e perigosa. Nefasta. Steiner não se deu conta de que comprou do inimigo o que ele tinha pior. E também o ódio ao catolicismo.

É o tipo de livro a se ler com luvas e lupa. Todo teórico que se funda em hereditariedade e raça está errado. Minha crença mais profunda é a de que a humanidade é uma só e o Espírito se revela onde bem entende, não dando bolas para condições biológicas.

Fonte: NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado