A guerra das elites europeias contra o Estado-Nação

Orlando Braga

O professor Adriano Moreira tem vindo a chamar sistematicamente à atenção para a importância de não se substituir a ONU pela construção de aglomerados regionais e provisórios de soberania. Nos últimos trinta anos aconteceu na Europa uma guerra contra o Estado-Nação, e o que está a acontecer hoje na Europa, com o recrudescimento radical dos nacionalismos, é resultado reaccionário dessa guerra cultural e política contra o Estado-Nação.

O absurdo da situação é que se diaboliza o Estado-Nação na Europa, ao mesmo tempo que se defende a construção de um leviatão europeu — a União Europeia federalista e um super-estado europeu. Qualquer pessoa com um mínimo de inteligência vê que há aqui qualquer coisa que não bate certo.

Ao contrário do que propaga a ideologia da construção do leviatão europeu, nem todos os estados europeus nasceram em resultado da acção de Napoleão. Portugal é um Estado-Nação unitário pelo menos desde o fim da primeira dinastia (século XIV). Portugal não precisou da revolução francesa nem de Napoleão para se tornar um Estado-Nação.

A actual crise financeira global está a ser utilizada para quebrar as pernas aos países mais pequenos da Europa (incluindo Portugal), obrigando-os a aceitar incondicionalmente uma integração política de tipo federalista conduzida pelo directório europeu (leia-se, a Alemanha + o novo regime francês de Vichy). O próprio processo de super-endividamento do nosso país, ocorrido com a adesão de Portugal ao Euro, fez parte dessa estratégia política “quebra-pernas”.

Se o Estado-Nação apresenta alguns defeitos e inconvenientes, um leviatão europeu significa a potenciação desses defeitos e inconvenientes, com a agravante de se tratar de um super-estado desenraizado e separado do cidadão em geral.

Portugal não se deve vender por um prato de lentilhas. Devemos seguir o conselho de D. Luísa de Gusmão, Duquesa de Bragança e esposa do rei D. João IV: “Mais vale ser rainha uma hora do que duquesa toda a vida”.

E sobretudo, se Portugal vai ter que reduzir o seu nível de vida, não faz sentido nenhum continuar no Euro e perpetuar o seu défice de crescimento económico. Portugal nunca cresceu tanto, do ponto de vista da economia, como quando esteve fora do Euro: isto é um facto incontestável!

Fonte: http://espectivas.wordpress.com/

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