Marina se pintou…mas continuou vermelha

Thiago Coelho

Entediei-me lendo Marina… você se pintou. http://www.ogirassol.com.brpagina.php?editoria=%DAltimas%20Not%EDcias&idnoticia=19895 . Maurício Abdalla é um completo retardado mental. Logo o notei pelo título do texto(é moda agora qualquer um que se acha “intelekituau” apoiar essa ecochata) e pelo facto de ser professor de Filosofia ( a maioria dos professores de faculdade adora puxar saco de socialistas). Abdalla, assim como todo bom marxista, analisa a realidade política sob o ponto de vista míope da esquerda: a luta infinita e chatissimamente dialética entre dois pólos antagônicos. Burguesia contra proletariado. Elite contra a massa disforme. No cenário partidário, o PSDB para ele representaria a elite que supostamente dominaria há 500 anos o Brasil (!), e o PT seria o mais angelical representante dos anseios e queixas dos pobres e miseráveis deste país (!). Mas terá essa visão dicotômica realmente alguma base na realidade para ser levada a sério? Não seriam Lula, José Dirceu, Antônio Palocci e alguns aliados importantes como José Sarney, Fernando Collor, Ciro Gomes e o bispo Edir Macedo também membros da tão invejada elite que eles juram odiar? Ou são pessoas que diariamente têm de se levantar de madrugada para pegar ônibus superlotados e enfrentar a violência, a insegurança, as filas de hospitais coletivos e o péssimo ensino de nossas escolas públicas? Ou será que os R$ 52 mil somente de joias que Dilma Rousseff declarou possuir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a fazem uma empregada doméstica? A própria Marina e seu candidato a Vice-Presidente, Guilherme Leal, o qual é proprietário da empresa Natura, teriam de ser enquadrados de qual lado? Somente essas perguntas servem para mostrar que a análise marxista utilizada pela esquerda é, além de enganosa, burra.

Sou absolutamente contra a divinização de líderes políticos, principalmente daqueles de tão baixo escalão como Lula e Marina. É interessante que todos se esquecem de que Marina era do PT até bem pouco tempo atrás, conviveu com o escândalo do mensalão enquanto era ministra do meio-ambiente e só saiu do PT porque não lhe deram espaço para se candidatar à Presidência da República. Então, vendo que suas aspirações de poder político estavam postas em segundo plano frente à preferência da ex-guerrilheira Dilma Rousseff, desfiliou-se do PT e adotou o PV, que é também um partido de esquerda e que possui diversos membros que lutam pelas mesmas causas que o PT, como a liberação do uso da maconha.Vide Gabeira.

Marina Silva mudou de partido, mas não mudou de ideologia. Ainda continua fazendo parte da ala socialista que procura destruir o capitalismo, denunciando empresários de supostos ataques ao meio-ambiente e defendendo o argumento de que não é possível desenvolver economicamente uma nação sem agredir a natureza sob o regime capitalista. Só que os ecosocialistas esquecem de que alguns dos países mais poluidores do mundo são a China e a Rússia, e que a maior catástrofe ambiental da história, o acidente nuclear de Chernobyl em 1986, ocorreu numa república socialista, a Ucrânia.

A adoração de Marina Silva por parte do povo e pela “intelectuália” só mostra mais uma vez que a cena político-ideológica brasileira está totalmente dominada pelo ideário marxista. O liberalismo é visto em nossas escolas e universidades como um fracasso (esquecem de que o verdadeiro fracasso aconteceu em Berlim em 1989); partidos de direita e conservadores estão há tempos marginalizados da cena política brasileira e o PSDB, que é um partido ideologicamente ligado a um socialismo moderado(social-democracia),ainda é visto pelo senso comum como o representante dos mais grandiosos e límpidos interesses conservadores e reacionários. A oposição, depois das últimas eleições deste ano de 2010, foi completamente diminuída em sua importância, sufocada. A presidente terá um Congresso dócil, indisposto a investigar eventuais irregularidades e poderá, enfim, aprovar importantes projetos de interesse popular como a descriminalização do aborto, a liberação das drogas, a aprovação do casamento gay. Tudo isso enquanto a educação continua sendo uma das piores do mundo, pessoas morrem nas filas de hospitais públicos, a corrupção vai se tornando uma virtude e o poder político fica cada vez mais monopolizado nas mãos do PT.

Em vista disso, pergunte-se: Por que só há espaço para organizações de esquerda no Brasil? A resposta mais contundente é esta: porque o povo brasileiro enfrenta uma crise de valores sem precendentes, perdeu toda e qualquer noção do que seja certo ou errado, perdeu a autoestima e o respeito por si próprio, não possui mais exemplos superiores a ser seguidos,  pois vivemos num mundo onde Deus não mais existe, assim como anteviu o filósofo alemão Nietzsche. E sem Deus, o que sobrou para guiar as ações e sentimentos das pessoas? Sobraram Lulas, Marinas Silvas, Dilmas Rousseffs, Hugos Chávez, Fidéis Castros, Josés Dirceus e similares. O futuro deste país é tenebroso, e é triste constatar que os maiores culpados por este estado abjeto somos nós, os brasileiros.

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