Os Mitos da Igualdade, da Democracia e do Respeito Popular à Ética

Thiago Coelho

Quando participei de um seminário que discutia sobre os desafios da gestão pública no século XXI, um dos palestrantes declarou, ao discursar sobre ética, que a administração pública deveria refletir os valores morais da população. De início, discordei de tal afirmação decididamente, pois acreditava que os líderes públicos seriam pessoas escolhidas dentre as demais por serem portadoras de determinadas características e de valores morais superiores ao usual, obtendo em troca disso reconhecimento e admiração da sociedade. Dentro dessa lógica, as pessoas escolheriam seus líderes não por que eles refletem o que elas pensam, mas sim por que teriam muitas coisas boas a aprender com eles. Os seres humanos não adoram a Deus por que Ele reflete o que eles são, mas sim por qu e Deus está infinitos graus acima em termos de sabedoria, amor, bondade etc do que qualquer uma de suas criaturas. Procurar sempre o que é melhor e superior deveria ser a práctica mais corriqueira para um desenvolvimento geral positivo do indivíduo.

Entretanto, com o passar do tempo, tendi a concordar com a afirmação do palestrante. Se temos uma administração pública ineficiente e corrupta e se nossos líderes são a encarnação mais torpe do anti-herói, isso tudo nada mais é que um reflexo do que é o povo que os elegeu. A democracia, ao colocar toda a responsabilidade e poder nas mãos do sine nomine vulgus, cria a ilusão de que o demos (povo) é imaculado, puro, casto e totalmente isento de erros. O povo seria a materialização do Sumo Bem, e todas suas ações seriam justificadas com base nisso. Isso é uma enganação que ganhou força desde, pelo menos, a época da Revolução Francesa, que contestou e desprezou a instituição da Hierarquia e da Autoridade, seja ela a de Deus ou a da Ordem Aristocrática. O próprio lema revolucionário – Liberdade, Igualdade e Fraternidade – é contraditório per se, pois a liberdade necessita da desigualdade para se concretizar na vida práctica, livre das normas impositivas e estáticas da igualdade –  a qual só existiria através do uso da violência, da imposição, visto que ela é antinatural pelo fato de os homens serem desiguais  em essência, aptidões e intelecto. E sem liberdade não poderia haver, por fim, uma relação fraterna entre os homens. Em sua encíclica Divini Redemptoris, Papa Pius XI afirma que as propostas desse liberalismo revolucionário francês abriram as portas para demandas cada vez mais radicais de um inimigo mais poderoso: o comunismo.

O poder ilimitado do povo numa democracia parece justificar-se também em dois erros lógicos de argumentação, a saber, as falácias ad populum e ad numeram. Elas dizem, grosso modo, que uma afirmação é tão mais verdadeira quanto mais pessoas afirmam que ela o é. O conceito de verdade estaria condicionado à autoridade da quantidade. Se o povo diz que um certo  governante, apesar de ser corrupto e parlapatão, é o mais indicado a administrar uma nação, então teríamos todos de aceitá-lo. Quem, pois, teria a bravura necessária para, neste caso, fazer face á opinião massificada e contestá-la, sob a condição de ser xingado porventura de fasci sta  e de ser condenado ao isolamento?

O povo não se importa com a ética dos nossos administradores e líderes públicos, porque eles próprios não têm um comportamento moral exemplar a oferecer. São tão corruptos e imersos no vício quanto seus dirigentes. Os mais famigerados escândalos de corrupção como o mensalão, a máfia dos sanguessugas, a fabricação de dossiês, a criação do Foro de São Paulo que congrega diversos partidos comunistas da América Latina e cujas atas documentam relações explícitas de apoio do PT à narcoguerrilha das FARC não impediram a reeleição de Lula como Presidente da República. Tampouco as recentes denúncias de quebra de sigilo fiscal de vários integrantes de um partido de oposição e a demissão da ex-ministra da Casa Civil por tráfico de influência tiraram pontos percentuais da candidata governista nas pesquisas d e intenção de votos. E o que tais factos nos revelam? Eles nos revelam que o povo está destituído de discernimento e de caráter a tal ponto que, embriagado pela propaganda governista e acorrentado ao assistencialismo lulista, perdeu o sentimento de indignação e de mal-estar diante dos atos mais abjetos que seus próprios governantes possam practicar contra a sociedade e a família. Se Lula, imitando o imperador romano Calígula, quisesse também nomear seu animal de estimação para algum cargo público, tal ato seria considerado como absolutamente normal e digno de louvor pela opinião pública a qual, aliás, Lula se autoproclama representante exclusivo , assim como Stalin, Mão Tse Tung e outros grandes dictadores costumavam se ver.

A única maneira de reverter tal conjuntura seria destruir o mito romântico da igualdade e recuperar o respeito ao conhecimento, à hierarquia social e aos valores morais do Cristianismo, bases da Cultura Ocidental e fatores valiosos para a edificação de uma civilização no Brasil. Sem isso feito, o próprio Ocidente se põe em perigo em face do crescimento maciço do movimento comunista que, radicalizando as propostas da revolução liberal de 1789 em França, procura pulverizar por quaisquer meios todo aquele que se oponha à sua tomada do poder político.  Aristóteles afirmou no livro Política que “há na espécie humana indivíduos tão inferiores a outros como o corpo o é em relação à alma ou a fera ao homem; são os homens nos quais o emprego da força física é o melhor que deles se obtém. Partindo dos nossos princípios, tais indivíduos são destinados por natureza à escravidão, porque, para eles, nada é mais fácil de obedecer”. Temos de admitir, por fim, que Aristóteles fez uma análise correta da condição humana e que, ao invés de encararmos o mundo como de facto ele é, preferimos viver num sonho cândido que se mostrará em seguida um pesadelo tão logo as cortinas do palco se cerrem, e as trevas se dissipem.

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  1. Muito obrigado a você Rodrigo por me disponibilizar um espaço em seu “blog” para que eu possa expor os meus pensamentos.

    Depende somente de nós construir uma nova nação!

    • Não precisa nem agradecer, seus artigos merecem espaço em blogs melhores e mais acessados. Mas é sempre de baixo que se começa. Quem sabe um dia o FRENTEOCIDENTAL.COM passa a ser mais acessado.

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