Ensino, onde estais?

Thiago Coelho

Os professores, que antes tinham a responsabilidade de ensinar o conteúdo e de prevenir o erro, agora têm somente a obrigação de ensinar o quanto menos e formar ignorantes.

No Brasil, já é conhecimento usual e genérico que o ensino superior ofertado por muitas escolas e universidades não oferece ao público a qualidade e excelência esperadas para a formação de pessoas cultas e instruídas. As escolas secundárias privadas visam exageradamente ao ingresso de seus alunos em cursos tradicionais e altamente concorridos de universidades públicas e privados. Só lhes importam os números de aprovados em vestibulares, a propaganda imensa advinda disso e a matrícula de cada vez mais alunos em seu sistema de ensino determinado pelas exigências do vestibular. Disso se pode criar a falsa idéia de que os únicos conhecimentos importantes que as crianças e os adolescentes devem adquirir são aqueles que o vestibular e a universidade queiram que eles tenham. Já as escolas secundárias públicas nem forças para isso têm. Totalmente sucateadas quanto à infra estrutura e desprovidas de recursos humanos eficientes e de qualidade, o setor educacional secundário público brasileiro não oferece à sua própria população uma educação decente e positiva, o que, a priori, deveria existir, já que o Estado brasileiro possui uma carga tributária das mais altas do mundo e, com isso, possui uma soma de recursos mais que considerável para melhorar e investir cada vez mais em setores estratégicos para o desenvolvimento pátrio, como em instituições de ensino e nos serviços que elas oferecem às pessoas. Infelizmente, devido à incapacidade e falta de seriedade em todos os campos da administração pública nacional e à transformação do vício do desvio de dinheiro público em virtude, se consegue ver tal medida concretizada na realidade.

O aluno da escola pública secundária muitas vezes obtém o diploma de conclusão de curso sem ao menos dominar conhecimentos básicos como a correta grafia das palavras, a resolução de operações matemáticas de radiciação e potenciação e a capacidade de ler e entender um texto. Somem-se a isso professores intelectual e pedagogicamente incapazes de ministrar aulas e poder-se-á entender o que é a escola pública no Brasil. No sistema educacional público, aprende-se de tudo um pouco: desde o consumo de drogas até a prática de perversões sexuais e o uso da violência física grupal contra alguns poucos que querem estudar. Tem-se acesso a tudo isso, mas não há a mínima possibilidade de contato com o conhecimento e com a instrução. Todo esse caos decorre de pelo menos dois fatores: 1)A falta de valorização da formação educacional como meio libertador e emancipador ao ser humano por parte do povo brasileiro, já que este, devido ao seu baixo grau de cultura e de conhecimento, não consegue compreender a importância que tem a erudição e a Cultura Superior que herdamos da civilização européia para a formação humanístico-cultural e para o desenvolvimento contínuo do indivíduo, preferindo práticas e hábitos degradantes e decadentes advindos de africanismo e indianismos; 2)A inexistência da formação de educadores sérios e capacitados para fomentar a cultura e a erudição na sociedade por parte da Universidade brasileira, que é a geradora e continuadora de toda essa decadência.

Em minha curta experiência como estudante do curso de Administração em Gestão Pública da UAB (Universidade Aberta do Brasil), tenho podido perceber a ineficiência da dita “Educação Superior” brasileira. As dificuldades já começam por tratar-se de um curso semipresencial: por disciplina, os alunos têm direito somente a duas aulas presenciais mensais. No mês seguinte, o professor tem mais duas aulas presenciais a dar, sendo uma de revisão e outra de aplicação de exame. Como não há tempo para explicar aos alunos todo o conteúdo de uma forma calma, clara e segura, aqueles têm de fazer o máximo de esforço para aprender o quanto for possível sozinho e provar ao seu professor que este conseguiu lhes fazer entender tudo direitinho através de inúmeras postagens em fóruns temáticos, chats, troca de e-mails, entrega de trabalhos de portfólio etc. Tal forma de ensino mecanizado e destituído de uma relação mais sólida e constante do professor com o aluno no processo de ensino-aprendizagem não tem sido muito produtiva. O professor não sabe como e se certamente o aluno está absorvendo o conteúdo, e o aluno não sabe se realmente está a aprender de forma segura, pois são muitos os fóruns e trabalhos a serem entregues. Não há tempo para reflexão em ambos os lados.

Grande parte dos estudantes, advinda do setor educacional público, traz à universidade suas deficiências lá adquiridas. Vítimas de uma educação ineficiente e que muitas vezes está mais preocupada em propagar ideologias políticas falidas do que ensinar um mínimo de conteúdo decente espelham o caos do ensino escolar em muitas postagens oficiais feitas em fóruns, onde se podem constatar desde falhas na escrita com erros atrozes de ortografia, pontuação e concordância até a explicação da realidade sócio-econômica brasileira à luz da medíocre teoria marxista- que é a única que lhes foi ministrada na escola- e a bajulação inescrupulosa do Presidente da República. Tais falhas se constituem imperdoáveis para indivíduos adultos que passaram num exame vestibular e que têm por pretensão gerir órgãos públicos do Estado brasileiro. E para piorar a situação, certos professores, que deveriam alertar-lhes sobre os erros e sobre sua correção imediata, advertem verbalmente aqueles que tentam corrigir tais deficiências (eu, por exemplo) que estão a agir de uma forma soberba, antiética e intolerante. Tal quadro explicita muito bem a inversão valorativa que tem ocorrido no sistema educacional: os professores, que antes tinham a responsabilidade de ensinar o conteúdo e de prevenir o erro, agora têm somente a obrigação de ensinar o quanto menos e formar ignorantes.A deficiência de ontem tornou-se um objeto de louvor de hoje.O glamour e o orgulho de possuir um diploma de nível superior ou simplesmente de conhecer alguém que o possuísse, como há alguns séculos atrás, foi substituído hoje pela vergonha em saber que , segundo uma reportagem da revista Época ( que pode ser lida em http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI108248-15228,00-DOS+BRASILEIROS+COM+ENSINO+SUPERIOR+NAO+SAO+PLENAMENTE+ALFABETIZADOS.html ) , 32% dos brasileiros com diploma de ensino superior(incluídos nessa porcentagem professores) não são totalmente alfabetizados; que muitos estudantes graduandos agridem fisicamente,jogam ácido,matam e estupram outros colegas calouros em trotes violentos pelo país etc.E o mais desesperador é saber que essas pessoas ocuparão cargos de médicos,advogados,juízes,professores,servidores públicos e ditarão os rumos que este país terá de tomar.

Praticamente todos os envolvidos no sistema educacional, quer sejam professores, coordenadores, diretores etc., têm muita consciência das falhas e erros existentes e pouca vontade de corrigi-los, o qual um e-mail a mim enviado por uma pessoa-chave da organização do curso, no qual admite que não se importe em entender e procurar solucionar os problemas prova a incapacidade e falta de seriedade naqueles que deveriam zelar por um ensino de excelência e pelo respeito ao Saber.

Pena seja que muitos estudantes não tenham interesse em procurar melhorar não somente o ambiente educacional no qual estão inseridos, como também em corrigir suas próprias falhas e aperfeiçoar-se. Isso se explica tanto pelo fato de morarem em cidades pobres e atrasadas as quais não lhes oferecem muitas opções de educação e de emprego, como pelo fato de não possuírem interesse em verdadeiramente adquirir conhecimento, mas somente em conseguir o diploma e ter uma possível estabilidade financeira na futura profissão. Como mudar tudo isso sem antes repensar o projeto cultural e civilizacional sobre o qual o Brasil foi erigido?O que a sociedade pode esperar de bom e de eficiente de pessoas que carregarão um diploma debaixo do braço e que exigirão ser chamados de Sinhô Dotô?

Quando penso nisso, lembro-me frequentemente de uma pergunta feita por um jovem num site de relacionamentos na internet: – Não seria melhor comprar livros e estudar por conta própria em casa? Para quê serve o diploma? Para quê fazer faculdade hoje se pode aprender muito mais estudando sozinho?Tendo em vista a terrível “educação” que nos é oferecida em escolas e universidades nos dias de hoje, sinto que a grande maioria das pessoas tenderia a lhe responder que sim.

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  1. Ensino no Brasil faliu a muito tempo. Como pode um país desse tamanho não formar um filósofo reconhecido nacional e internacionalmente? Como pode um país desse tamanho não ter mais um exército decente, capaz de defender a soberania nacional? O Brasil foi vendido por essa turma do PT e do PSDB. O pior é que quando um jovem consegue um diploma universitário, já se acha o intelectual. Olavo de Carvalho tem razão, o Brasil não é um país, é só um território ocupado por 190 milhoes de malucos e pronto.

    • “O pior é que quando um jovem consegue um diploma universitário, já se acha o intelectual.”

      Ecce tragœdia nostra!

      • Desculpa. Cheguei pra quebrar a homogeneidade.
        Africanismos? Indianismos?
        Mais européia do que é a nossa educação? Seja ela escolar ou cívica, somos meras versões suburbanas do europeu.
        Sua crítica é bonitinha. Mas a solução que você propõe é quase tão parecida com as causas da tragédia educacional que você denuncia.
        A propósito, você deveria conhecer mais a fundo a base do conhecimento ocidental, aliás, acho que nem existe viu? Por que todo ele foi roubado do oriente.

      • “Mais européia do que é a nossa educação? Seja ela escolar ou cívica, somos meras versões suburbanas do europeu.”

        Ou você está completamente fora da realidade e não percebe, ou está mentindo. A educação que se encontra nas escolas brasileiras está muito abaixo do nível de qualquer escola europeia e, se ela tivesse ainda alguma influência da grande cultura europeia, os estudantes brasileiros não tirariam sempre os últimos lugares em testes de leitura internacionais e nem seriam uma grande massa que despreza a educação , a cultura e o conhecimento. Ou você considera que fazer uso de músicas de funk para educar crianças seja influência da cultura europeia? O Brasil não tem nem mesmo a capacidade de ser “meras versões suburbanas do europeu”. SE tivéssemos realmente uma maior influência da cultura europeia, seríamos um povo mais culto e instruído que valorizaria as artes, o conhecimento e o progresso.

        “Mas a solução que você propõe é quase tão parecida com as causas da tragédia educacional que você denuncia.”

        Apresente a sua solução e discutamos.

        “A propósito, você deveria conhecer mais a fundo a base do conhecimento ocidental, aliás, acho que nem existe viu? Por que todo ele foi roubado do oriente.”

        Acho que conheço mais sobre as bases do conhecimento ocidental do que você, porque eu nunca diria essa idiotice de que todo o conhecimento ocidental “foi roubado do oriente”. Prove que Aristóteles , Platão, Santos Tomás de Aquino, Santo Agostinho, Sócrates, Max Plank, Einstein, Isaac Newton, Galileo Galilei,Gregor Mendel,Dostoiévski,Homero,Goethe,Shakespeare,Pascal,Darwin etc roubaram e plagiaram algum pensador de algum povo oriental. O máximo que pode ter ocorrido é que algum deles(algum, não todos) tenha pegado alguma ideia(alguma, não todas) e a tenha desenvolvido a seu modo.

  2. Caro Rodrigo,

    Estou realizando o curso de filosofia do Professor Olavo.

    Ouvi uma pergunta sua na aula 55 e finalmente soube de alguém aqui do Ceará que está cursando.

    Gostaria de saber o seu email com vistas a trocar algumas informações.

    até breve,

    Edgard

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